Proibição de fornecedores vai implicar custos muito significativos diz NOS
O presidente executivo (CEO) da NOS considerou hoje que a proibição de alguns fornecedores vai implicar custos muito significativos para as telecomunicações, salientando que se a Europa quer que os operadores sejam escudos de independência tem de criar condições.
Miguel Almeida falava no painel "Estado da Nação das Comunicações", no último dia do congresso da APDC (Digital Business Congress), que decorre no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote "A Europa na Era Digital - O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação".
Questionado sobre o que vem à cabeça quando ouve a expressão soberania digital, o CEO da NOS referiu ter "sentimentos conflituantes".
Isto porque, por um lado, "penso que é importante a Europa preocupar-se com a sua independência tecnológica neste setor digital como noutros". Por outro, para "uma empresa como a NOS, que é uma empresa portuguesa e europeia, com infraestrutura própria, com competências muito profundas em `cloud`, em cibersegurança", entre outros, "isto deveria constituir uma oportunidade para sermos um parceiro privilegiado de todas as entidades, todas as empresas que queiram recorrer a serviços de soberania digital", argumentou.
Mas "diz-nos a experiência que é preciso também perceber o que é a história da Europa nestas matérias. E eu recordo que a última vez que a Europa falou de soberania e de segurança foi a propósito do Cybersecurity Act [Lei da Cibersegurança] que o que deliberou é uma coisa absolutamente dramática para o setor na Europa", criticou.
"Não tanto para NOS, em particular, mas genericamente para o setor na Europa, que é absolutamente dramática, porque a história da proibição de alguns `vendors` [fornecedores como a Huawei] vai implicar custos muito significativos para o setor, mais custos significativos".
Portanto, "quando eu ouço falar destas coisas, de facto, fico um bocadinho assustado", prosseguiu.
Agora, "se a Europa quer que os operadores de comunicações sejam um escudo da sua independência tecnológica, bom, então tem que criar as condições para que esses escudos sejam financeiramente sustentáveis", sublinhou.
"Se assim for, excelente. Se for mais uma forma de onerar os operadores, fiquem lá eles com a soberania, então", rematou.