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Protestos contra a censura dos mamilos femininos no Facebook e Instagram
Aproximadamente 125 manifestantes protestaram nus, à frente da sede do Facebook em Nova Iorque, contra a censura dos mamilos femininos e a aceitação de mamilos masculinos nesta rede social. O Facebook prometeu reunir-se com os manifestantes para discutir as diretrizes da empresa relativamente à nudez.
Os manifestantes deitaram-se no chão, nus, com imagens de mamilos masculinos a tapar a sua genitália. A ação, denominada de #WeTheNipple foi organizada por famoso fotógrafo Spencer Tunick, em parceria com a Coligação Nacional Contra a Censura.
A ação faz parte de um movimento recente, o #FreeTheNipple (Liberta o mamilo), que luta contra a ideia de que é indecente ou sexual para as mulheres exporem os seus mamilos, e que, no caso dos homens, é aceite socialmente e legalmente. Os manifestantes protestaram contra a proibição de fotos que contêm mamilos femininos nas duas redes sociais, o que consideram ser um ato de censura por parte destas grandes empresas.
Spencer Tunick, o fotógrafo norte-americano conhecido pelas fotografias de pessoas em corpo nu, disse que a proibição prejudica artistas e outros utilizadores das plataformas digitais de partilharem a sua arte, mas também de explorarem o seu género.
Em 2014, a página de Facebook do artista foi desativada depois de publicar as suas fotografias. "O trabalho que me permitem publicar é fundamentalmente diferente do trabalho que eu faço. Para mim, cada mamilo pixelizado apenas sexualiza o trabalho censurado. Como um artista do século XXI, eu dependo do Instagram. É a revista do mundo e ser censurado nela quebra o meu espírito".
A Coligação Nacional Contra a Censura também se pronunciou: "A proibição de nudez previne muitos artistas de partilhar o seu trabalho online. Prejudica particularmente os artistas cujo trabalho é focado nos seus corpos, incluindo artistas queer ou não-binários, e os corpos daqueles que pertencem a essas comunidades".
Hannah Jane Parkinson, uma ativista, disse ao The Guardian que todas as pessoas nascem com mamilos "mas apenas metade da população pode mostrá-los num dia quente de verão sem que as pessoas objetifiquem, fiquem ofendidas ou revoltadas. Mamilos masculinos são aceitáveis para o mundo ver. Mamilos femininos, não", afirmou.
Já Dawn Robertson, fundador do grupo ativista "Grab Them By The Ballot", disse em declarações À CNN que "o Facebook está a ditar como o mundo vê o corpo nu feminino, e estão a tratá-lo como um crime e isso é vergonhoso".
As atuais diretrizes do Facebook não permitiam qualquer publicação de fotos com mamilos femininos expostos, mas, recentemente, algumas exceções foram incluidas: "atos de protesto, mulheres a amamentarem, e fotos de cicatrizes após uma mastectomia" e "fotografias de quadros, esculturas, e outra arte que retrate figuras nuas".
O Facebook revelou que aceitou reunir-se com a Coligação Nacional Contra a Censura e com outros parceiros. "É importante para nós ouvir diretamente as diferentes comunidades que utilizam o Facebook e o Instagram", disse uma porta-voz.
Porém, a empresa pretende ouvir as preocupações destes grupos acerca da censura, mas não se comprometeu a atualizar as suas diretrizes.