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Protestos contra Kavanaugh: dezenas de mulheres detidas à porta do Senado
A votação do Senado que consagrou a escolha de Brett Kavanaugh para o Supremo Tribunal de Justiça foi interrompida com apartes vindos da galeria destinada ao público. À porta do edifício, voltaram a ser detidas dezenas de mulheres.
O controverso juiz Brett Kavanaugh acabou por ser eleito por uma escassa maioria de 50 votos contra 48 - no fim de contas, uma maioria superior em um voto àquela que os republicanos detêm sobre os democratas na câmara alta do poder legislativo.
Acontece que, apesar das hesitações tornadas públicas nos últimos dias, nenhum senador ou senadora republicana votou contra o juiz, rompendo a disciplina de voto da sua bancada. Registou-se apenas a tímida dissidência da senadora Lisa Murkowski, que se limitou a expressar as suas reservas por via da abstenção.
Os democratas, pelo contrário, sofreram a dissidência clara do senador Joe Manchin que votou a favor da nomeação.
Devido às várias interrupções de manifestantes, o vice-presidente Mike Pence teve durante a votação de pedir ordem várias vezes e de fazer evacuar a sala pela polícia.
À porta do edifício, dezenas de mulheres voltaram a ser detidas pelas forças de segurança.
Ao comentar o resultado da votação, o líder da bancada democrata, Chuck Schumer, apelou a que o eleitorado destrone nas eleições de novembro próximo a maioria republicana do Senado. Segundo Schumer, a nomeação de Kavanaugh é "um dos momentos mais tristes" da história da câmara alta.
Nos antípodas deste comentário, o líder da bancada republicana, Mitch McConnell, afirmou que Kavanaugh é do melhor que a América tem para dar.
Seja como for, Kavanaugh, ainda com uma longa carreira pela frente, deterá um lugar de grande poder até ao fim da sua vida activa, e até muito depois de Trump deixar a presidência. Com a sua nomeação, passa a haver no Supremo um bloco de cinco juízes de direita contra quatro juízes considerados liberais.
O primeiro dilema importante que poderá colocar-se ao Supremo é agora o de decidir se um presidente pode ser convocado a prestar declarações num processo penal - algo que Trump tem tentado denodadamente evitar.