Provável vencedora das presidenciais Keiko Fujimori apela à união no Peru
A provável vencedora das presidenciais no Peru, Keiko Fujimori, declarou que "esta eleição acabou" e que é preciso concentrar-se "nos próximos cinco anos" de Governo, além de apelar à união entre os peruanos.
A candidata de direita garantiu que o objetivo é "fazer com que o Estado volte a funcionar" e prestar serviços básicos aos moradores de bairros como Villa María del Triunfo e Mariátegui, a sul da capital, Lima, que visitou na quinta-feira.
"O que vamos fazer é recuperar as ruas para que possamos sair em segurança, para que as nossas crianças recebam um bom pequeno-almoço na escola, para que tenham os seus uniformes escolares, para que possam aprender e ter oportunidades", disse a líder do partido Força Popular.
Fujimori expressou ainda gratidão pela participação dos apoiantes como representantes do partido nas mesas de voto na segunda volta das presidenciais, em 07 de junho, e disse que permitiu a supervisão da votação e da contagem.
"Muitos de vós ajudaram-nos nesta cruzada cívica, participando voluntariamente para defender a democracia", declarou a filha e herdeira política do antigo presidente Alberto Fujimori (1990-2000).
"O que devemos fazer agora é construir pontes, voltar a abraçar-nos e trabalhar juntos pela unidade de todos os peruanos. Vamos realizar projetos, construir escolas e trabalhar juntos pela paz, pela ordem e pelo desenvolvimento do nosso país", acrescentou.
Fujimori lidera com uma vantagem de mais de 44 mil votos, num universo superior a 19 milhões de sufrágios contabilizados, com 0,123% dos boletins ainda pendentes de resolução das observações e recursos apresentados pelo partido do candidato de esquerda Roberto Sánchez.
A comissão eleitoral indicou na quinta-feira que a proclamação do vencedor da segunda volta terá lugar a 03 de julho, data em que espera concluir o julgamento dos recursos e a proclamação preliminar pelos júris eleitorais especiais de todo o país.
Na quarta-feira, Sánchez declarou que vai recorrer para a comissão eleitoral do Peru da rejeição do pedido para anular os votos no estrangeiro da segunda volta.
Sánchez denunciou o que chamou de "fraude em curso" e afirmou que não reconhecerá Keiko Fujimori como vencedora.
Segundo afirmou, irregularidades administrativas e na conservação do material eleitoral teriam afetado o sufrágio fora do país, que representa cerca de 300 mil votos e beneficiou amplamente a rival.
Entretanto, a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru reiterou na quarta-feira que não observou qualquer irregularidade na contagem dos votos da segunda volta das eleições presidenciais, nem dentro nem fora do país andino.
Também uma missão da União Europeia considerou que a segunda volta decorreu de forma "calma e ordenada", apesar de uma campanha fortemente polarizada.