Provedor dos Direitos Humanos preocupado com atividades ilegais `online`
O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça de Timor-Leste, Virgílio Guterres, manifestou grande preocupação com as atividades ilegais `online`, considerando que representa um perigo para o país.
"O que está a acontecer neste momento justifica a intervenção da polícia para desmantelar as redes ilegais `online`, porque representam um risco para a nação", afirmou o provedor, à margem da apresentação do calendário atualizado das comemorações do Dia Nacional da Função Pública, que terá lugar a 25 de setembro, no município de Ermera.
Virgílio Guterres defendeu também que as autoridades não devem limitar-se a deter apenas os suspeitos de menor relevância, mas devem deter igualmente os principais responsáveis pelas redes criminosas.
"O que pretendemos é que não sejam detidos apenas o `peixe miúdo`. O `peixe grande` e todos os que fazem parte destas redes também têm de ser responsabilizados", afirmou o provedor dos Direitos Humanos e Justiça timorense.
O provedor apelou às autoridades policiais e judiciais para conduzirem uma investigação rigorosa e aprofundada.
"Quem quer que esteja envolvido, seja advogado, juiz ou ministro, deve responder perante a lei, sem que o cargo que ocupa sirva de proteção", salientou.
Virgílio Guterres elogiou o trabalho desenvolvido pelas autoridades policiais na identificação e desmantelamento daquelas atividades ilegais em vários bairros da capital timorense.
"Apelo também às autoridades locais e aos cidadãos para estarem mais vigilantes, para não permitirem que estas atividades ilegais encontrem espaço para operar", acrescentou.
As autoridades timorenses detiveram cerca de 300 pessoas, na sua maioria cidadãos da China, do Camboja e da Indonésia, por suspeitas de envolvimento em atividades ilegais `online`, nomeadamente jogos de azar e fraude.
Em setembro do ano passado, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou para o crescimento das redes criminosas em Oecusse, o enclave timorense situado no território indonésio da ilha de Timor. Segundo a UNODC, investigações recentes demonstraram que a região começou a ser influenciada por atividades criminosas organizadas.
Na sequência desse alerta, o Governo de Timor-Leste decidiu cancelar todas as licenças já atribuídas para operações de jogos e apostas `online`, bem como proibir a emissão de novas licenças, devido aos riscos para a segurança e a estabilidade social.
Segundo a UNODC, quando redes criminosas digitais se instalam numa determinada região, "essa região torna-se frequentemente um centro de fraude cibernética e de tráfico de droga e de seres humanos".