Putin em Pequim. Líder russo prevê sucesso estratégico em encontro com homólogo chinês

Putin em Pequim. Líder russo prevê sucesso estratégico em encontro com homólogo chinês

Vladimir Putin já está na China para se encontrar na quarta-feira com Xi Jinping. Visita que o presidente russo admitiu esperar que seja um sucesso estratégico, sublinhando o papel importante de uma parceria entre Moscovo e Pequim para a estabilidade global.

Inês Moreira Santos - RTP /
Vladimir Smirnov - Reuters

Ainda não passou uma semana desde a visita de Donald Trump à China e Xi Jinping já está a receber Vladimir Putin, considerado um aliado da China e rival geopolítico dos Estados Unidos. O presidente russo chegou à capital chinesa esta terça-feira para uma visita de Estado e foi recebido pelo vice-presidente chinês.

Esta viagem do líder russo à China é vista como uma demonstração da confiança e da estabilidade das relações diplomáticas entre as duas potências. Xi Jinping e Vladimir Putin vão discutir formas de "reforçar" a parceria estratégica bilateral e "trocar opiniões sobre as grandes questões internacionais e regionais", segundo a presidência russa.

Ainda antes de partir para a 25.ª visita oficial à China, Putin considerou que a aliança entre Moscovo e Pequim contribui para a estabilidade internacional sem ser dirigida contra nenhum país.

“A estreita aliança estratégica sino-russa desempenha um papel importante e estabilizador no cenário mundial”, disse Putin numa mensagem divulgada pela agência de notícias russa Interfax a propósito da deslocação de dois dias a Pequim. “Não estamos em confronto com ninguém, mas trabalhamos pela paz e pela prosperidade universal”.

As guerras dos Estados Unidos e Israel contra o Irão e da Rússia contra a Ucrânia deverão ser abordadas por Xi e Putin, que têm mantido relações próximas.

“Moscovo e Pequim trabalham neste espírito de forma coordenada para defender o Direito Internacional e as cláusulas da Carta das Nações Unidas”
, afirmou Putin.

O líder russo descreveu ainda o papel da Rússia e da China como “uma contribuição significativa para resolver problemas importantes a nível global e regional”.

“Confio que, juntos, continuaremos a fazer todo o possível para aprofundar a parceria sino-russa e as relações de boa vizinhança em prol do desenvolvimento dinâmico dos nossos dois países e do bem-estar dos nossos povos, no interesse de manter a segurança e a estabilidade mundiais”, acrescentou.

Ainda segundo o Kremlin, Putin e Xi assinarão cerca de 40 acordos, incluindo declarações conjuntas sobre o reforço da sua parceria estratégica e sobre o desenvolvimento de uma nova ordem internacional. Um dos temas centrais será a guerra na Ucrânia, sobre a qual vários países europeus continuam a pressionar a China a usar a sua influência sobre Moscovo para promover uma saída negociada.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, já tinha admitido na segunda-feira que Moscovo tem “grandes expectativas” face à visita de Putin à China.

Já o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, considerou que a “amizade entre a China e a Rússia será ainda mais aprofundada e se enraizará mais profundamente nos corações das pessoas" pela orientação estratégica de Xi e Putin.

É de recordar que este ano celebra-se o 30º aniversário da assinatura do acordo de parceria estratégica entre Pequim e Moscovo e o 25º aniversário da assinatura do "tratado de boa vizinhança e cooperação amigável". Os dois líderes já se encontraram mais de 40 vezes.
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