Quase 900 pessoas fugiram de distritos de Mocímboa da Praia e Muidumbe
Quase 900 pessoas fugiram a 12 de julho devido a novos ataques atribuídos a grupos insurgentes em Mocímboa da Praia e Muidumbe, província moçambicana de Cabo Delgado, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com o mais recente relatório de terreno da OIM, e divulgado após avaliações realizadas em coordenação com as autoridades locais, os incidentes provocaram a deslocação de 866 pessoas, correspondente a 166 famílias, para comunidades de acolhimento no distrito de Mocímboa da Praia.
Segundo o levantamento, os deslocados procuraram refúgio em duas localidades do posto administrativo de Diaca, nomeadamente Nango, que acolheu 748 pessoas, e a aldeia de Chinda, que recebeu outras 118.
Entre os deslocados contam-se 347 homens, 278 mulheres e 241 crianças, estas representando 28% do total da população deslocada. O relatório identifica ainda 65 mulheres grávidas e 25 idosos com mais de 60 anos entre os afetados.
Segundo a OIM, alimentação, abrigo e proteção constituem atualmente as necessidades mais urgentes das populações deslocadas, identificadas pelas equipas humanitárias e autoridades locais durante as avaliações realizadas nas zonas de acolhimento.
O relatório refere ainda que os movimentos populacionais registados nos últimos dias se inserem num contexto de persistente insegurança no norte de Cabo Delgado, onde continuam a ocorrer ataques e ações atribuídas a grupos armados não estatais.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho em Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 o número total de óbitos desde 2017.
De acordo com o mais recente relatório da ACLED, com dados de 01 a 14 de junho, dos 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique.