Quase 95 mil pessoas assistidas em 2026 apesar de subfinanciamento
Uma organização humanitária indicou hoje que quase 95 mil pessoas receberam assistência humanitária este ano no norte de Moçambique, afetado por ataques insurgentes, mas com o financiamento disponível a cobrir apenas 38% do necessário.
Um relatório operacional do Shelter Cluster, plataforma de coordenação da resposta humanitária em matéria de abrigo e assentamentos liderada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), indica que 94.768 pessoas foram assistidas até julho, num contexto em que cerca de 904 mil pessoas necessitam de apoio humanitário relacionado com abrigo e assentamentos no norte do país.
Segundo o documento, os parceiros humanitários priorizaram 581 mil pessoas para assistência, mas a resposta alcançou, até julho, apenas 16% desse total.
O relatório assinala também que o setor necessita de 63 milhões de dólares (58,2 milhões de euros) para responder às necessidades identificadas, mas dispõe de apenas 23,8 milhões de dólares (22 milhões de euros), correspondentes a 38% do financiamento requerido.
"O Shelter Cluster enfrenta o desafio contínuo de financiamento limitado, que impede a expansão das operações e a satisfação das necessidades urgentes de abrigo das populações afetadas pela crise", lê-se.
A avaliação destaca, contudo, progressos na implementação da resposta, apesar das limitações financeiras, sobretudo nos distritos de Memba, Metuge, Chiúre e Mecúfi, onde a assistência foi distribuída em larga escala.
A resposta humanitária foi liderada principalmente pela OIM, Caritas Nacala e Solidarités International (SI), organizações que, segundo o relatório, alcançaram a maioria das famílias assistidas.
Os dados indicam que as distribuições de bens não alimentares constituíram a principal atividade da operação, abrangendo 11.396 agregados familiares, enquanto a distribuição conjunta de kits de bens não alimentares e materiais de abrigo de emergência beneficiou 9.501 famílias.
Outras intervenções incluíram apoio à construção de abrigos permanentes para 853 famílias, reparações pesadas em 651 habitações, reparações ligeiras em 547, fornecimento de abrigos com privacidade para mulheres e raparigas a 996 agregados familiares e apoio com abrigos transitórios a 227 famílias.
No total, os parceiros do setor reportaram ter alcançado 24.547 agregados familiares através das diferentes modalidades de assistência em abrigo e bens não alimentares.
Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
De acordo com dados divulgados anteriormente pela Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início da insurgência, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), e mais de 6.600 mortos, além de mais de 1,2 milhões de deslocados.