Quase um milhão mortos desde 1990 em desastres naturais
As catástrofes naturais causaram quase um milhão de mortos desde 1990, segundo as Nações Unidas, que assinalam quarta-feira o Dia Internacional para a Redução dos Desastres Naturais com uma campanha dirigida às crianças, um dos grupos mais vulneráveis.
A campanha "A redução dos riscos das catástrofes começa na escola" tem dois objectivos: promover o ensino sobre redução de riscos nos currículos escola res e melhorar a segurança das escolas, incentivando a aplicação de métodos de c onstrução que suportem qualquer tipo de desastres naturais.
"As crianças são especialmente vulneráveis às ameaças dos desastres nat urais. Ao mesmo tempo, podem ser poderosos agentes de mudança, desde que tenham conhecimentos sobre como se prepararem, como agir perante os alertas e como redu zir riscos em casa e nas suas comunidades", referiu o secretário-geral das Naçõe s Unidas, Kofi Annan, numa mensagem alusiva à iniciativa.
Todos os anos 200 milhões de pessoas são afectadas por desastres natura is e as crianças menores de 18 encontram-se entre as mais vulneráveis, em especi al se estiverem na escola quando a catástrofe acontece.
Em Março, 160 escolas ficaram destruídas durante um sismo no Irão e mai s de 200 alunos morrem nas Filipinas quando um deslizamento de lamas cobriu a es cola onde se encontravam.
Das 82 nações envolvidas na Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, apenas 33 referiram incluir matérias relacionadas c om catástrofes nos currículos nacionais de educação primária e secundária.
No México, Roménia e Nova Zelândia o ensino destas matérias é obrigatór io.
Outros países como o Brasil, Venezuela, Cuba e Japão incluem estas maté rias no ensino primário e secundário, a nível municipal ou estadual.
Um relatório das Nações Unidas indica que o mundo enfrenta hoje catástr ofes numa escala sem precedentes.
Desde os anos 90, os desastres mataram em média 58 mil pessoas por ano e afectaram 225 milhões de pessoas.
Só em 2005, morreram 92 mil pessoas em 150 desastres.
Estudos científicos demonstram que o aquecimento global está a intensif icar o risco de catástrofes naturais como as cheias e os furacões.
Os desastres atingem, de igual modo, países ricos e pobres mas têm um i mpacto negativo superior nestes últimos devido à falta de meios humanos e materi ais para proteger vidas humanas e casas.
Dos 49 países em vias de desenvolvimento, 24 enfrentam um elevado risco de catástrofe. Destes, seis são atingidos por dois a oito grandes desastres tod os os anos.
Ásia e África são os continentes onde o impacto negativo dos desastres é pior.
Aproximadamente, 88 por cento das pessoas que morrem e 96 por cento das que são afectadas por catástrofes vivem nestas duas regiões.
Na última década, os desastres causaram aproximadamente 53 mil milhões de euros de prejuízos. Só em 2005, os prejuízos elevaram-se 175 mil milhões de euros, dos quai s 104 nos EUA, atingidos pelos furacões Katrina e Rita.