Quatro detidos e suspensa votação física de referendo civil sobre sufrágio universal em Macau

Quatro detidos e suspensa votação física de referendo civil sobre sufrágio universal em Macau

Macau, China, 24 ago (Lusa) - Quatro voluntários envolvidos na organização do referendo informal sobre o sufrágio universal em Macau foram hoje levados pela polícia e a votação física foi suspensa, afirmou o ativista Jason Chao.

Lusa /

"Os voluntários que se encontravam no bairro de São Lourenço foram levados pela Polícia de Segurança Pública. Um deles é Scott Chiang [vice-presidente da Associação Novo Macau]", disse Jason Chao, líder de duas das associações promotoras da iniciativa: a Sociedade Aberta de Macau e Consciência de Macau.

Além das detenções, a polícia apreendeu dois `tablets`, disse aos jornalistas Jason Chao, algo que o ativista atribui ao facto de as autoridades querem perceber o processo de votação.

Contactada pela agência Lusa, a polícia remeteu esclarecimentos para mais tarde.

A votação arrancou hoje na internet e em cinco locais, onde voluntários recolhiam votos através de `tablets`, uma vez que o Tribunal de Última Instância impediu a colocação de urnas. Todavia, menos de duas horas depois do início, a votação física acabou por ser suspensa, tendo os voluntários permanecido nos locais distribuindo panfletos, informou Jason Chao.

O ativista acusou a polícia de ameaçar prender os voluntários por alegada violação da Lei de Proteção de Dados Pessoais, o que levou à interrupção da votação física.

"Recebi indicações de que os agentes policiais não estavam apenas a perturbar os nossos voluntários. As pessoas depois de exercerem o direito de voto também foram perturbadas pela polícia. Foram paradas e foi-lhes pedido o bilhete de identidade. Sinto-me envergonhado com o que a polícia está a fazer. É uma grave violação dos Direitos Humanos", disse Jason Chao.

Esta manhã, representantes do Gabinete de Proteção de Dados Pessoais deslocaram-se a um dos locais de voto e entregaram uma carta aos promotores do referendo informal, depois de na sexta-feira terem emitido um comunicado a "avisar os organizadores que não podem tratar os dados pessoais para a finalidade de "referendo civil", caso contrário, podem assumir as respetivas responsabilidades jurídicas pela violação da Lei da Proteção de Dados Pessoais".

"Disse-lhes que a nossa forma de processamento de dados pessoas está completamente de acordo com a lei vigente sobre a Proteção de Dados Pessoais", reagiu hoje Jason Chao.

"A ideia principal do diploma é a de que se obtenha a autorização dos cidadãos antes de processar esses dados. E no nosso `site` os cidadãos têm de concordar com essas informações antes de avançarem para a votação", acrescentou, ao incitar a a população a exercer o direito de voto através da internet (macau2014.org).

O ativista adiantou que desde o início da votação online tinham sido detetadas sete possíveis ameaças provenientes do interior da China e que, apesar de não ter sido concretizado qualquer ataque informático à página da Internet, a organização decidiu suspender "o tráfego a partir do interior da China" como medida de precaução. "É possível votar a partir de todo o mundo, menos do interior da China", referiu.

De acordo com os dados disponibilizados na página de internet para a votação online, até às 14:00 [07:00 em Lisboa] votaram 1.317 pessoas no referendo civil.

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