Quatro mulheres mortas por dia no Brasil em 2025 diz relatório

Quatro mulheres mortas por dia no Brasil em 2025 diz relatório

O Brasil registou 1.571 vítimas de feminicídio - quatro mulheres mortas por dia - em 2025, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, apontam os novos dados divulgados pelo "20.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ricardo Moraes - Reuters

Os números agora divulgados representam quatro mulheres mortas por dia, o valor mais elevado desde a criação deste tipo penal, em 2015, conforme a série histórica contabilizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Este resultado marca ainda o quarto ano seguido de recordes nos assassinatos motivados por género, consolidando uma tendência de crescimento iniciada na última década em todo o território nacional.

Enquanto os homicídios gerais caíram 10%, a violência letal específica contra a mulher seguiu a tendência oposta, revelando que a redução da criminalidade não beneficia igualmente todos os grupos sociais, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No perfil das vítimas detalhado pelo relatório, as mulheres negras permanecem como o alvo principal, representando 65,1% das ocorrências de feminicídio confirmadas pelas autoridades policiais no último ano.

Quase dois terços dos assassinatos ocorreram no ambiente doméstico, sendo que 79,8% dos autores identificados eram parceiros ou ex-companheiros das vítimas, o que reforça o caráter relacional e privado dessa modalidade extrema de violência.

Além dos casos consumados, o Brasil registou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.

"Em outras palavras, para cada feminicídio consumado registado no país houve quase três tentativas. (...) As mulheres que hoje figuram nessa estatística podem representar, amanhã, parte das vítimas de feminicídio consumado", destaca, no relatório, a organização não-governamental.

O incumprimento de medidas protetoras também cresceu 16,7%, somando 132.025 registos que funcionam como sinais claros de alarme antes da morte, mas que muitas vezes não recebem o tratamento adequado das instituições do Estado brasileiro, acrescenta.

Segundo o estudo, o Amapá teve o maior crescimento, com um aumento de 347,7%, enquanto o Acre registou o índice mais elevado do país, com 3,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública sustenta que apenas medidas repressivas são insuficientes, sendo urgente uma agenda baseada em prevenção, educação e transformação de normas sociais para interromper o ciclo de abusos contra as mulheres.

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