Quatro soldados do Kuwait feridos em ataque aéreo iraniano
Quatro soldados do Kuwait ficaram feridos num dos ataques aéreos iranianos que atingiram hoje o emirado, que intercetou cerca de 40 mísseis e `drones`, divulgou fonte militar.
Durante a "hedionda agressão iraniana (...), um navio de guerra foi alvejado e quatro membros das forças armadas ficaram feridos. Receberam o tratamento médico necessário", referiu o porta-voz do Ministério da Defesa na rede social X.
A mesma fonte relatou ainda "ataques a várias instalações civis e vitais" que causaram danos materiais.
Os Estados Unidos lançaram hoje à noite novos ataques contra o Irão e retomaram o bloqueio dos seus portos, enquanto o Presidente Donald Trump recuou na imposição de tarifas sobre os navios que transitam pelo estreito de Ormuz, o epicentro do conflito.
A retoma deste bloqueio marítimo às 21:00 (hora de Lisboa), juntamente com bombardeamentos de escala sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, mina os esforços diplomáticos para viabilizar o memorando de entendimento assinado a 17 de junho.
Ao reimpor o bloqueio aos portos iranianos, os norte-americanos violaram os seus compromissos e desmantelaram o protocolo, acusou esta noite o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi.
Como consequência da escalada de tensões e da quase paralisia do estratégico estreito de Ormuz, o preço do petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 9% na segunda-feira, antes de abrandar a sua subida com os últimos anúncios do Presidente norte-americano.
Após mais uma noite de ataques aéreos dos Estados Unidos, o Irão reportou bombardeamentos generalizados ao longo do dia e da noite em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm, perto do estreito de Ormuz, mas também em Bushehr (sul), onde se encontra a sua única central nuclear, e na região rica em petróleo perto do Iraque e do Kuwait.
Tal como no dia anterior, a Guarda Revolucionária Islâmica retaliou atacando instalações norte-americanas no Bahrein.
No estreito de Ormuz e nas suas águas adjacentes, vários petroleiros foram atacados, resultando em pelo menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI).
Apenas sete navios de carga transitaram pelo estreito na segunda-feira, o número mais baixo desde 13 de junho, segundo a empresa de rastreamento marítimo Kpler.
Além do impacto no comércio global de hidrocarbonetos, a ONU alertou hoje para as "graves consequências socioeconómicas e humanitárias" do bloqueio desta "via navegável crucial da qual dependem milhões de pessoas" para alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.
Apesar dos confrontos, Donald Trump acredita que um acordo com o Irão ainda é possível, uma vez que as consultas com mediadores continuam, segundo diplomatas iranianos.
O Presidente norte-americano espera pressionar Teerão, que deseja manter o controlo do estreito, onde apenas permite uma única rota de navegação ao longo da sua costa.
Durante o bloqueio anterior, lançado em abril em retaliação pelo encerramento do estreito por Teerão, o Irão ficou impossibilitado de exportar "um único barril de petróleo", segundo o seu principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A operação "desempenhou um papel decisivo na conclusão do memorando de entendimento", segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).