Radovan Karadzic detido e à espera de extradição para Haia

Radovan Karadzic detido e à espera de extradição para Haia

O antigo líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic foi detido na noite da passada segunda-feira nos subúrbios de Belgrado após 13 anos em fuga ao mandado de detenção. È acusado de vários crimes contra a humanidade.

Eduardo Caetano, RTP /
Karadzic vai responder por vários crimes contra a humanidade Lusa

Karadzic, nascido em 1945 no Montenegro, foi o líder político dos sérvios da Bósnia na guerra civil.

Entre outros crimes, Karadzic é acusado de ter ordenado o bombardeamento de Sarajevo e do massacre em 1995 de mais de 8.000 muçulmanos bósnios de Srebrenica.

O Procurador do Tribunal Penal Internacional na ex-Jugoslávia suspeita que o antigo líder sérvio-bósnio conseguiu iludir a justiça e evitar a detenção porque teve a ajuda dos nacionalistas bósnios-sérvios e usando uma apurada arte de disfarces.

Há muito tempo que a comunidade internacional pressionava as autoridades sérvias a deterem o alegado criminoso de guerra. Radovan Karadzic e o seu lugar-tenente militar Ratko Mladic – que continua ainda desaparecido não se conhecendo o seu paradeiro –, são acusados dos piores crimes levados a cabo em território europeu depois da segunda guerra mundial.

Em Novembro de 1995, os “Acordos de Dayton” lograram por fim à guerra civil que assolou a região. Indiciado por crimes de guerra no ano seguinte, começou a sua longa fuga.

Karadzic rejeitou a hipótese de se entregar qualificando o TPI de ser um "tribunal político" criado para "culpar os sérvios" pela guerra.

OS investigadores do Tribunal julgam que se terá refugiado no sudeste da Bósnia.

Se para os croatas e muçulmanos era um monstro, para muitos sérvios era um herói.

À espera da extradição

Antes de ser transferido para Haia para ser julgado pelos seus crimes, as autoridades Sérvias têm primeiro de confirmar a sua identidade e fornecer-lhe um exemplar de uma extensa acusação numa língua que ele compreenda perfeitamente.

Já foi presente a um juiz em Belgrado. Se este aprovar a sua extradição Karadzic poderá ainda apelar da decisão para uma instância superior o que poderá atrasar alguns dias, admitindo-se inclusive a hipótese de algumas semanas a sua transferência para Haia.

As autoridades judiciais não sabem ainda quando poderá ser feita a entrega de Karadzic ao Tribunal Internacional de Haia.

Uma vez extraditado e entregue ao Tribunal de Haia, na Holanda, será levado sob fortes medidas de segurança para uma unidade de detenção especialmente construída numa prisão na costa do mar do norte.

Karadzic ficará numa cela no mesmo bloco onde o seu mentor político e antigo presidente jugoslavo Slobodan Milosevic morreu em 2006 pouco depois do seu julgamento por genocídio.

Detenção foi ilegal de acordo com o Advogado

Entretanto, o advogado de Karadzic já veio defender que a detenção do seu cliente foi ilegal e um recurso ao tribunal com base neste argumento poderá também servir para atrasar ainda mais o processo de extradição.

Sveta Vujacic afirmou que o fugitivo foi detido num autocarro na passada quinta-feira e mantido sob detenção até ter sido presente a tribunal na segunda-feira. “Ele (Radovan Karadzic) disse que eles apenas lhe mostraram um distintivo e que depois o levaram para algum local onde o mantiveram encerrado numa divisão. E isso que fizeram é absolutamente ilegal”, afirmou o jurista.

Crimes de que Karadzic é acusado

• Um crime de Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia);
• Um crime de cumplicidade em Genocídio (Srebrenica e outros locais da Bósnia);
• Um crime de exterminação, crime contra a humanidade;
• Homicídio como crime contra a humanidade;
• Homicídio em violação das leis e usos da Guerra;
• Um crime de homicídio constituindo uma grave violação da Convenção de Genebra que regulam a conduta durante a guerra;
• Perseguição;
• Deportações e outros actos desumanos
• Infligir terror em civis;
• Tomada de reféns.

Todos estes crimes de que Radovan Karadzic é acusado terão sido cometidos entre 1992 e 1996.

Comunidade internacional regozija-se com a detenção

A comunidade internacional que sempre condenou os actos contrários à convivência humana perpetrados pelo ex-líder bósnio-sérvio e vinham há muito pressionando as autoridades sérvias para a necessidade de cumprirem o mandado de detenção do TPI, foram unânimes em considerar positiva a detenção de Karadzic.

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia já afirmou que “saúdo as notícias da detenção de Radovan Karadzic”, acrescentando que “é um desenvolvimento muito positivo que ajudará a fazer justiça e contribuirá para a reconciliação nas Balcãs ocidentais. Prova a determinação do novo governo Sérvio em garantir a cooperação com o ICTY (Tribunal das Nações Unidas). È também muito importante para as aspirações europeias da Sérvia.

Javier Solana, antigo responsável pelos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em sintonia com o líder da Comissão Europeia, demonstrou uma “imensa satisfação” afirmando que, “Eles (os Sérvios) provaram que cooperarão integralmente com o Tribunal de Haia para os crimes de Guerra na ex-Jugoslávia.
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