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Rafael Grossi disposto a passar reforma da ONU da teoria para a prática

Rafael Grossi disposto a passar reforma da ONU da teoria para a prática

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e candidato a secretário-geral da ONU, Rafael Mariano Grossi, mostrou-se hoje disposto a passar o processo de reforma das Nações Unidas da teoria à prática.

Lusa /

O diplomata argentino, o segundo candidato à liderança da ONU a apresentar a sua visão para as Nações Unidas, saudou os esforços do atual secretário-geral, António Guterres, para reformar a organização, mas frisou que muito ainda precisa de ser feito para colocar os planos em prática.

"Estamos a tentar ajudar neste processo [de reforma da ONU] e, claro, individualmente, como candidato, tenho acompanhado em detalhe o que está a ser discutido, o que foi alcançado até agora, e todos aguardamos as propostas que o secretário-geral apresentará à Assembleia-Geral no próximo outono", disse.

"É bom que tenhamos começado. Mas todos sabemos que a ONU80 [programa de reforma da ONU apresentado por Guterres], tal como está, é mais um retrato do que um plano para o futuro. Há ideias, mas sabemos que caberá ao próximo secretário-geral e à equipa que trabalhará convosco implementar o que estiver acordado e também avançar com outras questões que ficarão pendentes", observou, dirigindo-se aos Estados-membros e organizações da Sociedade Civil que o ouviam.

Grossi salientou que muitas das propostas de reforma da ONU ainda estão em debate, o que mostra que é necessário ainda muito trabalho para avançar significativamente, expressando disposição para liderar esse processo.

Rafael Mariano Grossi é um diplomata argentino com 40 anos de experiência em diversas áreas, incluindo paz e segurança, não proliferação e desarmamento, e desenvolvimento internacional.

Chegou à corrida para sucessor de António Guterres através da nomeação da Argentina. 

Com uma campanha baseada em "resultados efetivos", é atualmente o favorito entre aqueles que procuram um líder mais técnico, especializado em programas de armas nucleares.

Grossi lamentou hoje não haver nenhum continente que não tenha conhecido o regresso da guerra, argumentando que esse cenário belicista levou a que a credibilidade da ONU esteja a ser questionada.

"Afinal, há 80 anos, esta Casa foi criada após o efeito catastrófico da Segunda Guerra Mundial, que começou na Europa e se espalhou por todo o mundo. Portanto, a ideia era essa, e é por isso que acho que é importante pensarmos nisso", disse.

"Porque, caros amigos, não é simplesmente porque dizemos que precisamos de um lugar à mesa que o teremos. Não, isso não vai acontecer agora. Portanto, a não ser que haja uma liderança capaz de o fazer e haja apoio, isso não vai acontecer. Então, temos de nos concentrar nisso", insistiu.

Grossi considerou que a sua experiência pessoal a mediar conflitos e o papel de interlocutor regular entre potências beligerantes poderão contribuir para ser eleito.

O diplomata argentino recusou renunciar ao cargo na AIEA enquanto concorre à liderança da ONU, contrariando uma resolução da Assembleia-Geral que pedia aos funcionários das Nações Unidas que "considerassem" suspender funções durante a campanha, a fim de evitar conflitos de interesse.

Na sala do Conselho de Tutela das Nações Unidas, um dos seis principais órgãos da organização, em Nova Iorque, Grossi reconheceu hoje que há um enorme desvio dos recursos necessários para tirar milhares de milhões de pessoas da pobreza para a máquina de guerra.

"Portanto, esta ideia de que procurar a paz e a segurança significa desconsiderar o desenvolvimento não está correta. Precisamos de estar presentes em todas estas frentes", defendeu.

O diretor-geral da AIEA afirmou ainda que a ONU "não foi criada para ser uma instituição que transmite mensagens a partir de uma torre de marfim", sublinhando que os problemas devem ser resolvidos no "terreno", e "isso significa adaptar-se às situações".

"Portanto, esta é a minha visão. A minha visão é a de uma instituição que estará presente, que agirá com igual determinação em todas estas frentes. E isto - e espero ter oportunidade de o exemplificar - não vem de algumas páginas bem escritas. Provém da minha própria experiência como diretor-geral de uma organização que está no centro dos esforços atuais para garantir a paz e a segurança", concluiu.

Antes de Grossi, foi a ex-presidente chilena Michelle Bachelet apresentar a sua visão para a ONU e a defender a "necessidade urgente de esperança".

Na quarta-feira será a vez da ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, que terá a sua audição de manhã, e do ex-presidente senegalês Macky Sall, que será ouvido no período da tarde.

A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.

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