Realinhamento histórico da política de Deng Xiaoping

Realinhamento histórico da política de Deng Xiaoping

O Partido Comunista Chinês (PCC) aprovou uma estratégia de desenvolvimento que substitui as doutrinas próximas do capitalismo de Deng Xiaoping por uma política mais igualitária, que a imprensa oficial hoje classifica como "mudança revolucionária".

Agência LUSA /

Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.

"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".

Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas".

"Mais de 20 anos depois, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita subiu acima dos mil dólares (833 euros)", refere a Nova China, que adianta que "o crescimento rápido trouxe novos problemas - as famílias de menores rendimentos representam 10 por cento das famílias do país e têm menos de 2 por cento da riqueza nacional, enquanto 10 por cento das famílias de maiores rendimentos têm cerca de 40 por cento da riqueza".

O novo plano quinquenal aprovado pelos 341 delegados presentes na 16ª Sessão Plenária do Comité Central do PCC promete aumentar os rendimentos dos cerca de 700 milhões de chineses que vivem no campo, que passam a dispor de nove anos de educação gratuita, melhores serviços de saúde, além de um sistema de pensões e de segurança social inovador no país, refere um comunicado de imprensa do PCC.

A nova estratégia de desenvolvimento não põe em causa as ambições de crescimento da China, uma vez que o plano tem como objectivo duplicar o PIB per capita até 2010, através de melhores estruturas económicas, maior eficiência e menor consumo energético, adianta o documento.

O plano tem também como objectivo para 2010 criar um grupo de empresas com maior competitividade internacional, estabelecer direitos de propriedade intelectual chineses e lançar no mercado marcas famosas.

A falta de mudanças nos nomes que constituem a cúpula do partido para a acompanhar "a mudança revolucionária" poderá reflectir, para alguns observadores, alguma dificuldade em passar das palavras aos actos e transformar, segundo um observador local, "as intenções do plenário em palavras de ordem".

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