Rebeldes Houthis negam procurar o fecho de Bab el-Mandeb

Rebeldes Houthis negam procurar o fecho de Bab el-Mandeb

Os rebeldes iemenitas esclareceram esta sexta-feira que não têm como objetivo o bloqueio do estreito que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Mar Arábico. Dizem os Houthis que a sua ação no Estreito de Bab el-Mandeb visa unicamente o comércio de origem saudita.

Paulo Alexandre Amaral - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

Os Houthis garantem que não procuram bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb.

Dizendo que não estão à procura de uma paralisia do estreito, um negociador do grupo, Mohammed Abdusalam, explicou que “não há nenhum encerramento de Bab el-Mandeb, como alguns sugerem, [apenas estamos a] bloquear a parte saudita”.

No início da semana, os rebeldes do Iémen, aliados do Irão no xadrez internacional, anunciaram o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb como uma resposta ao que chamam de cerco de Riade. Os Houthis falam em guerra de “olho por olho, dente por dente”, contra “um cerco injusto e opressor” imposto ao Iémen pela Arábia Saudita.

Na segunda-feira avisaram as transportadoras marítimas internacionais para deixarem de utilizar os portos da Arábia Saudita e comunicaram que “os navios estão proibidos de carregar ou descarregar mercadorias em qualquer porto saudita”.

Os Houthis vinham já lançando ataques contra navios no Mar Vermelho desde o início da guerra em Gaza, uma ação que justificavam com a solidariedade para com os palestinianos contra o inimigo sionista.

No dia seguinte, terça-feira, reivindicaram o ataque a dois petroleiros sauditas e os navios que percorriam o Mar Vermelho passaram a estado de alerta.

Agora, quatro dias depois, vêm esclarecer que não se trata de paralisar ao Estreito de Bab el-Mandeb, apesar de muitos navios terem já feito essa marcha atrás e navegado em direção ao Canal do Suez para redefinir uma rota que passará a percorrer o Mar Mediterrâneo e o contorno de todo o Continente Africano, numa soma de custos acrescidos à viagem dos produtos.

No caso do crude – a Arábia Saudita é o exportador número um do mundo – vê-se já uma subida dos preços que vão refletir-se inevitavelmente nas carteiras dos condutores.
Uns sim, outros não

A agência France-Presse consultou os dados das empresas que gerem a navegação para apontar que na quarta-feira foram nove os navios que deram meia-volta e “subiram” em direção ao Suez, tendo entretanto alguns deles retomado o percurso original. Já na quinta-feira, e de acordo com o fornecedor de dados marítimos Kpler, manteve-se o tráfego de Bab el-Mandeb.

A passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden ganhou outra importância desde o bloqueio iraniano ao Estreito de Hormuz, que praticamente deixou paralisado o comércio internacional de petróleo.

O Mar Vermelho tornou-se nesse momento na única rota desimpedida para escoar livremente os produtos sauditas. Situação que se alterou no início desta semana.
 
As exportações marítimas de crude saudita que passaram entre março e meados de julho pelo Estreito de Bab el-Mandeb aumentaram oito vezes em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o site Kpler.
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