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Refugiadas em Moçambique produzem sabão à base de plantas para sustentar famílias

Refugiadas em Moçambique produzem sabão à base de plantas para sustentar famílias

Francisca Mukaciti, 73 anos, lidera um grupo de cinco refugiadas em Nampula, norte de Moçambique, que produz sabão artesanal à base de plantas locais, água e soda cáustica para sobreviver e reconstruir dignidade longe dos países de origem.

Lusa /

São mulheres maioritariamente provenientes do Burundi, Congo e Ruanda, além de moçambicanas em situação de vulnerabilidade, antes instaladas no campo de refugiados de Maratane, que se uniram para criar a iniciativa em 2023, no âmbito de um projeto promovido pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Aprendemos primeiro a fazer sabão simples, com água e soda. Depois começámos a usar plantas como moringa, eucalipto e mussiro para dar cor e melhorar o cheiro", diz à Lusa Francisca Mukaciti, fundadora e presidente da cooperativa Umudja Ninguvo, que significa "união faz a força".

A cooperativa reuniu inicialmente 20 mulheres, que reduziu para 12 e são agora apenas cinco, que produzem o sabão de forma regular, usando extratos de plantas locais, e vendem fragrâncias leves, desenvolvidas de forma empírica pelas próprias produtoras.

"Começámos com muitas pessoas, mas nem todas conseguiram continuar. Algumas desistiram, outras foram embora procurar outras formas de sobreviver", refere Francisca.

As cinco mulheres que ainda resistem produzem 200 unidades do sabão artesanal, feito à base de produtos naturais, duas vezes por semana, e vendem no mercado local e oportunamente em feiras.

"Quando há feira, conseguimos vender bem. Já chegámos a fazer valores razoáveis, que depois dividimos entre nós", conta a presidente da cooperativa, referindo que em dias normais conseguem um rendimento de 1.500 meticais (20 euros) e em feiras ganharam até 5.000 meticais (67 euros).

Entre as refugiadas a união é a palavra de ordem. As mulheres têm uma conta conjunta para onde é canalizada parte da receita das vendas, para poupança, gestão e continuidade do pequeno negócio: "Também ajuda a mostrar a quem quer apoiar que somos organizadas", acrescenta Francisca.

Para estas mulheres, a Umudja Ninguvo vai além da geração de rendimento. Trata-se de uma forma de resistência e reconstrução pessoal, após experiências marcadas por deslocamento forçado e perdas.

"Se ficarmos sozinhas não conseguimos fazer nada. Mas, juntas, numa cooperativa, conseguimos trabalhar e viver", declara, orgulhosa, Francisca Mukaciti, enquanto exibe o sabão numa Feira da Mulher, promovida pelo Conselho Municipal de Nampula.

 A mulher, que perdeu o marido em 2014, afirma que o negócio ajuda a alimentar a família de seis filhos e mais de 10 netos, parte dos quais já constituiu família.

"Não devemos ficar à espera. Quem está em situação difícil deve procurar uma cooperativa ou começar algo, mesmo pequeno", aconselha.

Segundo os últimos dados avançados pelas autoridades moçambicanas, em 2023 o país tinha 28 mil refugiados e requerentes de asilo, dos quais pelo menos sete mil em Maratane, o único campo para refugiados no país.

Em março de 2025, o ACNUR disse que a ajuda aos refugiados diminuiu para metade em Moçambique, obrigando a "cortes significativos nos serviços de saúde mental e de apoio psicossocial e nos alimentos suplementares para melhorar a nutrição de 300 pessoas".

A maioria das pessoas que procuram refúgio e segurança em Moçambique é proveniente da região dos Grandes Lagos e do Corno de África, com destaque para a República Democrática do Congo, Burundi, Ruanda e Somália.

 

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