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Refugiados do Sudão vivem em clima de medo

Refugiados do Sudão vivem em clima de medo

Os refugiados da região sudanesa de Darfur continuam a viver num clima de medo e sem qualquer confiança nas autoridades como protecção contra os abusos na região, afirmou hoje a responsável de direitos humanos da ONU.

Agência LUSA /

Para Louise Arbour, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, que visitou recentemente o Sudão, a situação é dramática e a maioria dos refugiados sobrevivem sem as condições mínimas necessárias.

"Os cerca de 1,45 milhões de deslocados da região de Darfur estão a viver em prisões sem paredes", disse Arbour, num comunicado distribuído hoje em Genebra.

"As histórias que ouvimos dão conta de uma profundo sentimento de insegurança. Os deslocados não estão a pensar voltar para casa porque não confiam em que o governo os proteja", salientou.

Para Arbour, as autoridades, "no mínimo, respondem mal às carências dos refugiados e, no pior cenário, estão em conluio com os atacantes, incluindo grupos armados".

Arbour e o conselheiro especial do secretário-geral da ONU para o genocídio, Juan Mendez, passaram uma semana na região de Darfur e na capital, Cartum, para contactos com as autoridades e para avaliarem as condições dos refugiados e deslocados.

No final da visita, os dois responsáveis da ONU aludiram à discrepância entre a percepção das autoridades e a opinião dos deslocados, comunidade internacional e organizações humanitárias sobre a situação no terreno.

"Esta (discrepância) torna-se tão mais óbvia e preocupante nas no tocante ao volume e amplitude das violações sexuais contra mulheres em Darfur", sustenta Arbour.

"Mulheres que foram violadas falaram-nos da vergonha que sentiram depois de ser atacadas. Chegou a altura de mudar a vergonha para aqueles que a devem ter: para os autores e para os que deixaram que estes crimes ocorressem", reclamou.

Reafirmando que qualquer solução de fundo passa pela resolução dos assuntos políticos pendentes na zona, Arbour, canadiana, considerou essencial a aplicação de novas medidas para proteger os deslocados e os habitantes de Darfur.

"Ainda estamos a elaborar o pacote de medidas. Mas o que é claro é que a presença da comunidade internacional no terreno melhorou a situação de segurança, e o aumento do número de funcionários humanitários no terreno pode evitar mais violações", afirmou.

As medidas propostas integrarão um relatório da visita ao Sudão que Arbour e Mendez enviarão, em breve, ao secretário-geral da ONU.

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