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Região do Sahel. Forças governamentais matam mais civis do que jihadistas
A presença feminina neste domínio tem vindo a crescer gradualmente, com um número cada vez maior de mulheres africanas a liderarem a investigação sobre a própria região. Passou a haver também uma maior valorização de perspetivas locais e de género, impulsionada por organizações internacionais que promovem a diversidade.
Num artigo escrito em dezembro de 2025,"Burkina Faso Junta Restores Death Penalty %u2013 A Step Backward as Human Rights Are Under Threat", a investigadora italiana (vive em Londres) analisa a decisão da junta militar do Burkina Faso de aprovar um projeto de lei (4 de dezembro de 2024) para restaurar a pena de morte, revertendo quase uma década após a sua abolição. A medida não está plenamente em vigor, sendo que a última execução judicial conhecida no país ocorreu em 1988.
A tentativa de reintroduzir a pena de morte é mais uma abordagem à dinâmica do Sahel, a região da África Ocidental noticiada em 2024, como um dos principais focos mundiais de terrorismo.
A instabilidade crescente transformou a região num enorme desafio estratégico para a União Europeia, com impacto direto na segurança, nos fluxos migratórios e na sua credibilidade internacional.
Após uma série de golpes militares no Mali, Burkina Faso e Niger, Bruxelas viu-se obrigada a reduzir a sua presença na região. Encerrou missões, congelou apoios e afastou-se politicamente das juntas no poder. De notar que foram as juntas militares a iniciar e a decidir este distanciamento.
Mali, Burkina Faso e Níger expulsam potências ocidentais, principalmente a França, e marcam uma rutura drástica na cooperação de segurança e política na região. Esta rutura diminuiu a capacidade europeia de influência num contexto em que grupos extremistas continuam a expandir-se.
No terreno, os civis são os mais afetados. Enfrentam massacres, deslocações forçadas e repressão estatal. É um ciclo de violência que ameaça consolidar-se e agravar ainda mais a instabilidade regional.