Região na Bolívia pede intervenção militar do Governo após "vaga de violência extrema"

Região na Bolívia pede intervenção militar do Governo após "vaga de violência extrema"

O Governo de Santa Cruz (leste), região mais povoada da Bolívia, pediu às autoridades que acione uma "intervenção militar conjunta" perante uma "vaga de violência extrema", após vários homicídios, emboscadas a polícias e uma recente fuga de reclusos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Rodrigo Urzagasti - AFP

O secretário de Segurança Cidadã do Governo Regional de Santa Cruz, Jorge Santistevan, disse na quarta-feira aos meios de comunicação que estes recentes acontecimentos "revelam a presença de organizações criminosas com elevadas capacidades que estão acima das forças da ordem e do próprio Estado".

"É nosso dever convocar e recomendar ao Governo nacional que, perante a vigência do Estado de exceção, aplique (...) a imediata intervenção militar conjunta, o apoio às forças da ordem para combater e desarticular, se necessário, grupos criminosos de grande escala", afirmou Santistevan.

O governante pediu que o Governo nacional que autorize a força militar a "fazer uso das suas armas de regulamento isenta de responsabilidade criminal para uma intervenção eficaz e não decorativa ou dissimulada".

Para Santistevan, estes acontecimentos "não são isolados" e não comprometem apenas "uma população ou o departamento de Santa Cruz, mas são ações que comprometem" todo o país.

O pedido surge horas após o homicídio de um cidadão estrangeiro em pleno centro da cidade de Santa Cruz, contra quem dois alegados criminosos dispararam várias vezes, segundo a imprensa local.

Dois reclusos brasileiros escaparam do estabelecimento prisional de Palmasola, o mais povoado e considerado o mais conflituoso do país, situado em Santa Cruz, aproveitando um corte de energia num dos pavilhões.

A Polícia publicou nas redes sociais os retratos de Alex Heleno Da Silva, detido por homicídio, e de Junior Da Silva Fernando, que cumpria pena por uma acusação de alegado tráfico de armas, e ativou um plano de "busca e recaptura".

No fim de semana, um cidadão brasileiro também foi morto a tiro no município de San Ignacio de Velasco, em Santa Cruz, e a Polícia acredita que se tratou de um ajuste de contas.

A estes acontecimentos soma-se o homicídio de quatro pessoas por parte de um grupo de criminosos que, na quarta-feira, invadiu uma herdade na localidade de San Matías, fronteiriça com o Brasil.

Um dia depois, um grupo de pessoas armadas emboscou agentes de investigação que se dirigiam a San Matías para investigar o incidente na herdade. Um dos polícias foi baleado mortalmente e os atacantes levaram o corpo do agente, abandonando-o mais tarde numa pista clandestina.

O Governo de Paz assegurou que os acontecimentos em San Matías estão vinculados às organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que mantêm uma disputa pelas rotas do narcotráfico na fronteira da Bolívia com o Brasil, o que gerou uma vaga de violência nessa zona.

Desde a tomada de posse, em novembro do ano passado, do Governo do Presidente de centro-direita, Rodrigo Paz, 17 chefes de organizações criminosas internacionais foram detidos e posteriormente expulsos do país.

O Ministério do Interior boliviano anunciou que a Polícia Federal do Brasil abrirá brevemente uma delegação permanente na Bolívia para reforçar o combate às organizações criminosas e facilitar a troca de informação.

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