EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Regras do subsídio de educação especial revistas para acabar com atrasos

Regras do subsídio de educação especial revistas para acabar com atrasos

As regras do subsídio de educação especial, destinado a crianças e jovens, estão a ser revistas para "pôr fim aos atrasos da atribuição" desse apoio, sendo esperadas soluções em janeiro, anunciou hoje o Governo.

Lusa /

"Nós temos um problema antigo que decidimos olhar de frente e dizer que esta situação, tal como está, não pode continuar", anunciou hoje a secretária de estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, referindo-se aos atrasos na atribuição do apoio desenhado para as famílias com crianças e jovens com deficiência.

Em declarações à Lusa, após a audição parlamentar sobre o tema, que decorreu hoje a pedido do PCP, a governante explicou que foi criado um grupo de trabalho que, até 31 de janeiro, irá apresentar um conjunto de soluções que tornem a atribuição do apoio mais célere, sem perder "o rigor e transparência".

As famílias esperam, em média, mais de oito meses para começar a receber o subsídio e cerca de 25% dos processos que têm uma declaração médica a atestar a deficiência são recusados pelas equipas multidisciplinares, recordaram os deputados Joana Cordeiro (IL) e José Soeiro (BE), citando números avançados recentemente pelo presidente do Instituto de Solidariedade Social (ISS).

À Lusa, Clara Marques Mendes acrescentou outros problemas também já identificados, como "o tempo de demora dos pagamentos mesmo depois do processo deferido".

"Este é um direito da maior justiça, mas a forma como está a ser tratado nem sempre garante que a justiça chegue a tempo", lamentou a governante, recordando que estas situações já são denunciadas há vários anos.

A tutela decidiu criar um grupo de trabalho, que "irá rever todos os procedimentos e revisitar toda a regulamentação" para apresentar soluções, anunciou a secretária de Estado.

"Tudo neste momento está em cima da mesa no que diz respeito ao subsídio de educação especial", salientou a secretária de estado, defendendo que só será possível perceber o que vai mudar depois de conhecidas as propostas do grupo de trabalho, composto por elementos da Saúde Educação e Solidariedade Social.

A secretária de estado disse ainda não conseguir prever neste momento quando irão entrar em vigor as mudanças, porque "depende das sugestões, que podem demorar mais ou menos a implementar", mas prometeu que as decisões do grupo de trabalho terão "consequências rápidas".

"Os grupos de trabalho servem para nos ajudar a fazer mais e melhor. Este grupo de trabalho também terá o propósito de pôr fim aos atrasos na atribuição do subsídio", salientou.

Questionada sobre as famílias que neste momento continuam a aguardar uma decisão ou o início do pagamento de um subsidio já autorizado, a governante também prometeu mais rapidez.

Com o presidente do conselho diretivo do Instituto de Segurança Social ficou acordado "dar uma resposta imediata às famílias. É uma preocupação que temos. Ficou acordado que serão reorganizados os serviços para um reforço para que se reduzam as pendências e as pessoas tenham uma resposta mais rápida aos seus pedidos".

Durante a audição parlamentar, a deputada do PS, Lia Ferreira, recordou a baixa escolaridade das crianças e jovens com deficiência, em que a maioria só consegue completar o ensino básico.

"Apenas 8% terminam o secundário e 5% concluem o ensino superior", alertou a deputada socialista, sublinhando que a baixa escolaridade os torna dependentes de subsídios e pensões.

Os deputados da bancada do Chega lembraram ainda que há pais que se queixam de ter dificuldades em saber como pedir o apoio e que as famílias mais carenciadas não conseguem muitas vezes avançar com as verbas necessárias até serem reembolsados, "deixando as crianças à espera".

Tópicos
PUB