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Reino Unido quer mudar lei para deportar líder de rede de tráfico sexual de crianças

Reino Unido quer mudar lei para deportar líder de rede de tráfico sexual de crianças

O Governo britânico pretende obter uma alteração à lei para tentar deportar um pedófilo paquistanês condenado por liderar uma rede de tráfico sexual de crianças, anunciou ministra do Interior, Shabana Mahmood.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Shabir Ahmed foi condenado em 2012 a 22 anos de prisão por múltiplos crimes sexuais contra crianças, incluindo violação.

Era o líder de um grupo de homens com atividades predatórias semelhantes que visavam raparigas em Rochdale, no norte de Inglaterra.

Libertado em 02 de julho e colocado em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, enfrenta apelos unânimes de todo o espetro político para a sua deportação para o seu país natal.

Shabir Ahmed viu a sua cidadania britânica ser cassada após a condenação, mantendo apenas a nacionalidade paquistanesa, mas uma lei de imigração de 1971 impede a sua deportação.

Esta lei proíbe a deportação de cidadãos da Commonwealth que, como Ahmed, tenham chegado ao Reino Unido antes de 1973.

Ao anunciar que a lei seria mudada através de uma proposta de alteração ao Projeto de Lei da Imigração e Asilo, atualmente em debate no Parlamento, Mahmood disse aos deputados que esta medida garantiria a deportação dos "criminosos estrangeiros mais hediondos".

Mahmood reconheceu, no entanto, que isto não garantia a deportação de Shabir Ahmed, uma vez que o Paquistão teria de aceitar recebê-lo de volta.

Segundo os meios de comunicação social britânicos, Islamabade recusa-se a receber o pedófilo.

A ministra acrescentou que o Governo continua "a explorar todas as vias para concretizar a sua deportação".

Os partidos da oposição exigiram que o Governo pressionasse o Paquistão para cumprir esta exigência, ameaçando inclusive reduzir a ajuda ao desenvolvimento e impor sanções.

Durante várias décadas, em várias cidades inglesas, homens predominantemente de origem sul-asiática abusaram de milhares de raparigas.

Mais de 100 pessoas foram condenadas por estes crimes, mas os relatos apontam para a responsabilidade das autoridades, que não intervieram com medo de serem vistas como racistas.

Figuras da extrema-direita, incluindo Stephen Yaxley-Lennon, mais conhecido pelo pseudónimo Tommy Robinson, utilizaram este escândalo como um grito de guerra contra o multiculturalismo e a imigração.

O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou no ano passado uma investigação ao caso, que também atraiu a atenção do multimilionário norte-americano Elon Musk.

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