Remodelação de Downing Street. Boris Johnson enfrenta novas suspeitas

Remodelação de Downing Street. Boris Johnson enfrenta novas suspeitas

Boris Johnson enfrenta novas suspeitas por causa da remodelação do apartamento de Downing Street. A oposição pede uma investigação de corrupção ao primeiro-ministro depois de terem sido divulgadas mais mensagens onde Johnson prometia ajuda a um doador privado para a realização de uma exposição em troco de mais fundos para a polémica remodelação da residência oficial.

RTP /
Reuters

Estas mensagens, agora divulgadas em todos os jornais britânicos, não foram entregues pelo primeiro-ministro ao investigador Christopher Geidt que inicialmente analisou do ponto de vista ético a entrega de fundos.

O primeiro-ministro foi forçado a pedir desculpas a Christopher Geidt, responsável por fiscalizar o cumprimento das normas de conduta dos ministros, porque informação divulgada posteriormente punha em causa o testemunho que o ilibou de irregularidades.

Numa carta datada de 21 de dezembro, Johnson atribuiu a confusão a uma troca de telemóveis e prometeu tomar medidas para que este tipo de mal-entendidos “não voltem a acontecer no futuro”.Boris Johnson foi acusado pela oposição de “mentir” sobre a origem do financiamento para as obras de remodelação do apartamento em Downing Street. Na sequência do escândalo, acabou por assumir o custo total das obras.

Geidt, que se tinha queixado de “falta de respeito”, respondeu dois dias depois, reiterando que o “episódio abalou a confiança” devido às “falhas potenciais e reais” no processo de facilitação de informação pelo gabinete de Johnson.

Porém, manteve que os novos factos não invalidam a conclusão do inquérito finalizado no início deste ano de que o primeiro-ministro não transgrediu os regulamentos.

Numa primeira investigação à potencial violação do código ministerial por não declarar donativos, Geidt, que é membro da Câmara dos Lordes e foi secretário privado da Rainha Isabel II, absolveu Johnson porque este disse que não conhecia a origem do financiamento.

Geidt mesmo assim considerou que Johnson se portou de forma “imprudente” pela forma como financiou as obras.

A oposição pede uma investigação até as últimas consequências.
Segunda investigação Numa segunda investigação, a Comissão Eleitoral identificou provas de que Johnson enviou ao milionário David Brownlow uma mensagem de telemóvel, em novembro de 2020, que sugere que o primeiro-ministro sabia de onde vinha o dinheiro.

As regras parlamentares dizem que qualquer donativo acima de 500 libras (600 euros) deve ser registado e declarado.


Como penalização, a Comissão Eleitoral multou o Partido Conservador em 17.800 libras (21.300 euros) por ter concluído que os conservadores não conseguiram “documentar com precisão um donativo e manter um registo de contabilidade adequado" do dinheiro entregue em outubro de 2020 por Brownlow, militante e membro da Câmara dos Lordes pelo Partido Conservador.

O relatório da Comissão Eleitoral disse que os conservadores alegaram repetidamente que o dinheiro não tinha sido um donativo ao Partido, e que as justificações para o pagamento variaram entre ser "um donativo ao primeiro-ministro através do partido", um "presente para a nação”, um "assunto ministerial” e o "reembolso de um empréstimo”.

No relatório final, a Comissão calculou que Brownlow entregou 52.801,72 libras (63.165.91 euros) ao Partido Conservador para pagar as obras de remodelação, as quais, segundo a imprensa britânica, terão custado perto de 200 mil libras (239 mil euros), incluindo papel de parede dourado escolhido pela mulher, Carrie.

Esta despesa gerou controvérsia por ter ultrapassado em muito o limite anual de 30 mil libras (36 mil euros) concedido ao primeiro-ministro para decorar os aposentos pessoais na residência oficial, em Downing Street.
As mensagens
Nas mensagens de WhatsApp trocadas pelo primeiro-ministro com o conservador David Brownlow e agora reveladas pela comunicação social, revelam que Johnson chamou a partes da residência oficial de “dica” e pediu-lhe “para autorizar ainda mais obras de remodelação na residência”, para que a decoradora de interiores, Lulu Lytle, pudesse “prosseguir” com as remodelações em novembro de 2020.

E assinou a resposta escrevendo: “o grande plano de exibição será revertido”. Ao que Lord Brownlow respondeu: “Claro, peça a Lulu para me telefone e vamos resolver o problema o mais rápido possível! Obrigado por pensar na Grande Exposição 2.0”.

Os planos para a Grande Exposição 2.0 foram discutidos entre Brownlow e o então secretário da Cultura, Oliver Dowden, semanas após a troca de mensagens via WhatsApp.

A primeira Grande Exposição foi realizada em Hyde Park em 1851.

Em 18 de janeiro de 2021, Brownlow teve uma reunião com Dowden no Royal Albert Hall “para discutir os planos para a Grande Exposição 2.0”.

Fonte do Governo, citado pelo jornal The Guardian, revelou que “se tratava de uma iniciativa privada do Royal Albert Hall, do qual Brownlow é um curador”.


C/agências
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