René Préval volta à presidência cinco anos depois

René Préval volta à presidência cinco anos depois

René Gracía Préval, vencedor das eleições presidenciais haitianas de 07 de Fevereiro, volta a assumir no próximo domingo a chefia do Estado, cargo que ocupou entre 1996 e 2001, sucedendo a Jean-Bertrand Aristide.

Agência LUSA /

Técnico agrónomo, 63 anos, nascido a 17 de Janeiro de 1943 na localidade de Marmelade (norte), foi primeiro-ministro em 1991 sob a presidência de Aristide, que renderia no cargo.

Inicialmente correligionário de Aristide nas fileiras do Partido Lavalas, formou uma nova força política, Lespwa (Esperança), para concorrer às últimas presidenciais, que ganhou.

Filho de um ministro da Agricultura, fez a sua formação na Bélgica, onde a família se radicou em 1963 fugindo à ditadura de François Duvalier (Papa Doc), mas não chegou a concluir os estudos superiores em Agronomia, na Universidade de Bruxelas.

Viveu a primeira metade da década de 70 nos Estados Unidos, antes de regressar ao seu país em 1975, onde ficou a dirigir uma panificadora.

Entrou para a política em 1986, poucos meses após a queda de Jean-Claude Duvalier (Baby Doc), filho de François, tendo então conhecido Aristide.

Militou no movimento de esquerda Honra e Respeito pela Constituição, liderou uma comissão de investigação aos desaparecidos durante a ditadura e ingressou nas fileiras do Lavalas, levando ao poder Aristide em Dezembro de 1990.

Apesar das reticências iniciais do parlamento haitiano, por ser um desconhecido para a população e não ter antecedentes na luta contra os Duvalier, a 13 de Setembro de 1991 obteve finalmente a aprovação para desempenhar as funções de primeiro-ministro, assumindo cumulativamente as pastas do Interior e da Defesa.

Um golpe de Estado encabeçado pelo então comandante das Forças Armadas Raoul Cedras, a 30 de Setembro de 1991, derrubou o Presidente Aristide e o executivo de Préval.

Durante meses teve de estar sob protecção francesa na residência oficial do representante diplomático de Paris em Port-au- Prince, até que a 13 de Fevereiro de 1993 obteve asilo político no México.

Em Março de 1992 foi, juntamente com Aristide, condenado pelo assassínio do dirigente democrata-cristão Silvio Claude, bem como por detenções arbitrárias e tortura.

Na sequência de um acordo celebrado a 03 de Julho de 1993 para o restabelecimento da ordem constitucional, Préval voltaria ao Haiti em Outubro de 1994, mas não assumiu qualquer cargo na presidência restaurada de Aristide.

Em 1995 candidatou-se à mais alta magistratura do país pelo Lavalas e obteve 87,9 por cento dos votos, embora a participação nas urnas tivesse sido apenas de 30 por cento.

Préval iniciou então um programa de reformas económicas que passou por privatizações, pelo incremento da carga fiscal das empresas, pela redução das taxas aduaneiras e pela reestruturação da administração pública, tornando-se alvo de enorme contestação.

Na recta final do seu mandato, entre Maio e Junho de 2000, a oposição e a comunidade internacional denunciaram uma fraude em grande escala nas legislativas que deram a quase maioria absoluta ao Lavalas e foram o preâmbulo das presidenciais de 26 de Novembro do mesmo ano, ganhas por Aristide, a quem Préval entregou o poder a 07 de Fevereiro de 2001.

Caído Aristide no início de 2004, devido à contestação social e ao avanço dos rebeldes, Préval apresentou a candidatura à presidência em Setembro de 2005 e ganhou plebiscito a 07 de Fevereiro passado, com uma maioria absoluta de 51,2 por cento dos escrutínios.

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