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Repórteres Sem Fronteiras denunciam "preocupante declínio da liberdade de imprensa" em Angola

Repórteres Sem Fronteiras denunciam "preocupante declínio da liberdade de imprensa" em Angola

A Associação Repórteres Sem Fronteiras (RSF) alertou hoje para o "preocupante declínio da liberdade de imprensa" em Angola, na sequência de prisões e agressões a jornalistas, durante uma manifestação no sábado em Luanda, considerando tratar-se de um "retrocesso preocupante".

Lusa /
Reuters

Em comunicado hoje divulgado, a RSF apela às autoridades angolanas para que não recorram a métodos de predação da informação que remetam aos "dias sombrios da ditadura".

Mais de cem manifestantes, que protestavam no sábado por melhores condições de vida e pela realização das eleições autárquicas, foram detidos sob acusação de crimes de arruaça e dano de bens públicos, estando o julgamento a decorrer esta semana.

No decurso da manifestação, dois jornalistas, Suely Moreno e Carlos Tomé, um fotógrafo, Santos Samuesseca, e o motorista, Leonardo Franciso, todos da Rádio Essencial, foram detidos e presos "sem justa causa pela polícia", sendo apenas libertados na segunda-feira.

Segundo a RSF, foram igualmente detidos e soltos algumas horas depois dois jornalistas da TV Zimbo, dois fotógrafos da Agência France Press, Georges Nsimba e Osvaldo Silva, este último relatou cenas de "agressão policial" referindo que foram "forçados a apagar as imagens".

"Ao cobrir uma manifestação, os jornalistas não estavam fazendo nada além do seu trabalho", afirma, no comunicado, o responsável pelo escritório da RSF para África, Arnaud Froger.

Essa "onda de prisões e agressões", refere, constitui "um retrocesso preocupante que lembra os momentos sombrios da ditadura".

"Três anos após a queda do Presidente José Eduardo dos Santos, a liberdade de imprensa continua ser uma conquista em grande parte inacabada em Angola", aponta a RSF.

Para Arnaud Froger, se as autoridades angolanas "desejam sinceramente virar a página de anos de predação das informações, elas não têm escolha a não ser condenar tais atos e punir seus infratores".

A RSF diz que já havia documentado, em outubro, as "graves ameaças" dirigidas a "vários meios de comunicação e jornalistas angolanos pela cobertura do caso Edeltrudes Costa", chefe do gabinete do Presidente angolano, João Lourenço, suspeito de ter desviado fundos públicos.

"O `site` de notícias independente Correio Angolense, bem como o jornalista `freelance` e ex-correspondente da RSF, Siona Casimiro, foram alvos de ataques cibernéticos, e o jornalista Carlos Rosado de Carvalho foi censurado por vários canais com os quais colaborava", lê-se no comunicado.

Hoje, na abertura da quarta sessão ordinária do comité central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975), o Presidente angolano, João Lourenço, lamentou as detenções de jornalistas, "devidamente credenciados", augurando que tal situação "não volte a se registar no país".

Angola ocupa, atualmente, o 106.º lugar entre 180 países no Raking Mundial da liberdade de Imprensa estabelecido pela RSF em 2020.

 

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