"Reunião foi muito boa". Comércio e tarifas dominaram conversa entre Trump e Lula

"Reunião foi muito boa". Comércio e tarifas dominaram conversa entre Trump e Lula

Estiveram em cima da mesa, durante o encontro de cerca de três horas, temas que Lula da Silva considerou que podiam ser tabus com Donald Trump e, no fim da reunião, houve troca de elogios entre os presidentes.

Inês Moreira Santos - RTP /
Elizabeth Frantz - Reuters

Em conferência de imprensa após a reunião, o presidente brasileiro disse que as três horas de conversas na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos foram importantes para a estabilizar as relações entre os dois países, que estavam tensas devido à política tarifária de Donald Trump.

"Demos um passo importante para consolidar a relação Brasil-Estados Unidos", disse Lula da Silva. "É importante que os Estados Unidos voltem a se interessar pelo que acontece no Brasil”.

E, através das redes sociais, o presidente brasileiro realçou que foi uma “reunião muito produtiva com o presidente dos Estados Unidos".


O Governo do Brasil também fez uma publicação nas redes sociais para comentar a reunião entre Lula e Trump, com a legenda "Diálogo e respeito".

"Brasil e EUA sempre foram parceiros e mantêm uma relação de amizade e respeito há mais de 200 anos. O encontro entre os chefes de Estado durou mais de três horas, durante as quais eles trataram de temas importantes para os dois países e para o mundo", lê-se na mensagem.

Já Trump elogiou o "presidente muito dinâmico do Brasil", reforçando que foi um encontro "muito bom".



"Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas”, escreveu Trump na sua rede social.

“A reunião foi muito boa. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário".
Tarifas, comércio e crime organizado
Os dois líderes discutiram tarifas, comércio, segurança, minerais críticos e crime organizado, como confirmou o próprio presidente brasileiro.

Lula da Silva garantiu que o Brasil está disposto a construir um “grupo forte” de combate ao crime organizado com todos os paises da América Latina, e criticou o que chamou de “hegemonia” de um país sobre o outro.

“Eu falei ao Presidente Trump: ‘muitas vezes, os Estados Unidos falavam em combater o crime organizado, a questão das drogas, tentando ter base militar dento dos outros países’”, declarou em conferência de imprensa em Washington.

“Quando na verdade, para você fazer com que os outros paises deixem de plantar e fabricar o que a chama de drogas, é preciso criar alternativa econômicas pra estes países (...) Nós temos que incentivar a plantar a outras coisas e comprar”, sublinhou.

O chefe do Executivo do Brasil afirmou ainda que "parte das armas que chegam no Brasil saem dos Estados Unidos" e que existe lavagem de dinheiro feitas nos EUA.

“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo sobre qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não vamos abrir mão é da nossa democracia e da nossa soberania", declarou. 
“Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”
Lula da Silva que, mais do que uma vez, se manifestou muito satisfeito depois da reunião, disse ainda que aconselhou o homólogo norte-americano a sorrir, e que a reunião demorou porque os dois estavam a gostar. 

"Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia".

“E eu fiz questão de dizer para ele: ‘ria um pouco, é importante, alivia! Alivia a nossa alma se a gente rir um pouco’", declarou.

Questionado, Lula da Silva respondeu ainda que não foi discutido a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Recorde-se que a Casa Branca avalia classificar o PCC e CV como organizações terroristas, o que incomoda o Palácio do Planalto, que teme a interferência da Casa Branca sobre a soberania do Brasil.

Lula da Silva disse ainda que o PIX, modelo de transferência bancária muito popular no Brasil, desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, não entrou na discussão na Casa Branca.

“Eu até trouxe o Dario Durigan [ministro da Fazenda] para a reunião. Como o Trump não perguntou do Pix, eu também não falei. E eu espero que um dia o Trump faça um PIX”, brincou.

Lula da Silva dembarcou em Washington na noite de quarta-feira acompanhado dos ministros de Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Fazenda, Dario Durigan, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias.

Completam a comitiva ainda o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além do chefe da Polícia Federal brasileira, Andrei Rodrigues.

O encontro entre os dois líderes das duas maiores democracias do ocidente acontece após um ano tenso da política de tarifas dos EUA sobre o Brasil e atritos diplomáticos entre os dois países.

C/agências
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