Roma e Pequim são "forças na defesa do multilateralismo" diz MNE chinês
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou hoje, após uma reunião com o homólogo italiano, Antonio Tajani, que China e Itália são "forças importantes" na defesa do multilateralismo, num contexto de tensões no Médio Oriente.
Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang destacou que os dois países "são parceiros estratégicos globais, com vantagens complementares e amplas perspetivas para aprofundar a cooperação".
O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disposta a "manter o dinamismo dos intercâmbios, melhorar o entendimento e reforçar a confiança mútua" com Roma.
Wang alertou ainda que, "desde o início deste ano, os conflitos geopolíticos persistem, os focos de tensão intensificaram-se e a ordem internacional e a segurança global enfrentam desafios graves".
"A China está disposta a trabalhar com Itália para reforçar a comunicação e a coordenação em assuntos internacionais e multilaterais", acrescentou.
Sobre o conflito no Médio Oriente, Wang reiterou que "a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irão não deveria ter ocorrido", sublinhando que "o prolongado conflito afetou gravemente a segurança energética internacional e a segurança do Estreito de Ormuz".
"A tarefa urgente é promover o regresso dos Estados Unidos e do Irão às negociações e procurar uma solução política", afirmou.
Tajani considerou que "as relações atuais entre Itália e China desenvolvem-se de forma satisfatória e fluida" e que Roma "atribui grande importância aos laços com Pequim".
"Tendo em conta a atual situação internacional complexa e volátil, Itália valoriza altamente a influência significativa da China nos assuntos internacionais e em plataformas multilaterais como as Nações Unidas", acrescentou.
A reunião decorre num contexto de relançamento das relações entre Pequim e Roma, após a saída de Itália, em dezembro de 2023, da iniciativa chinesa das Faixa e Rota, à qual aderiu em 2019.
A decisão não significou uma rutura: durante uma visita à China em 2024, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou a saída "coerente", mas sublinhou que não era a única via para desenvolver os laços bilaterais, tendo então assinado com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, um plano de ação para abrir uma "nova fase" de cooperação.