Rubio atribui a Cuba formação da extrema-esquerda nos EUA e hemisfério ocidental
O secretário de Estado norte-americano afirmou hoje que Cuba contribuiu para a formação da extrema-esquerda nos Estados Unidos e no hemisfério ocidental, na Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político, em Washington.
"A vasta rede de informações e ideológica do regime cubano ajudou a forjar a extrema-esquerda no nosso país e no nosso hemisfério, e permanece inextricavelmente ligada a grupos e movimentos de extrema-esquerda em todo o Ocidente e além", disse Marco Rubio numa intervenção na abertura do encontro.
A reunião, que inclui países do hemisfério ocidental, da Europa e da Ásia, foi convocada para abordar o que o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, considera um ressurgimento internacional do "terrorismo político de extrema-esquerda" em várias partes do mundo.
"O terrorismo político de extrema-esquerda é uma ameaça real e transnacional que existe há décadas, mas que agora está a ressurgir", afirmou Rubio.
O secretário de Estado analisou alguns episódios violentos ao longo da história e afirmou que "a violência de esquerda não era apenas justificada, era tratada como algo sacrossanto, uma categoria protegida em si mesma".
"Podem adotar diferentes `slogans` e ideologias dependendo do lugar e da época. Podem autodenominar-se anticapitalistas, anti-imperialistas, comunistas, anarquistas ou marxistas. Mas a sua natureza fundamental é sempre a mesma. É um ressentimento venenoso, disfarçado com a linguagem da igualdade", denunciou o líder da diplomacia norte-americana.
Rubio dedicou parte do discurso a criticar o comunismo: "Uma das críticas que às vezes se ouve sobre o comunismo, por exemplo, é que soa bem na teoria, mas nunca funciona na prática. Isso não é verdade. O comunismo não soa bem nem mesmo na teoria", acrescentou.
Para o Departamento de Estado, "o terrorismo antigovernamental de extrema-esquerda é agora responsável por mais ataques e conspirações nos Estados Unidos do que qualquer outra categoria ideológica".
Nesse sentido, Rubio pediu o fortalecimento da cooperação internacional, semelhante à que tem sido feita contra a violência extremista islâmica, para combater a "violência extremista que emana da esquerda política".
"Ainda hoje, a mera ideia de que o terrorismo de extrema-esquerda possa constituir uma ameaça séria é considerada uma ilusão da direita, ou pior, uma trama fascista perigosa", disse, observando que o "esquerdismo radical" se inspira no "ódio ao ocidente" e trata-se de uma "luta civilizacional".
Mais de 70 delegações estão representadas nesta reunião, que também conta com a presença do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e do chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, um dos principais assessores políticos de Trump.
O momento escolhido para o evento surpreendeu, uma vez que os Estados Unidos estão num ponto crítico da guerra com o Irão.
Mas, continuou Marco Rubio: "vocês estão aqui porque os vossos líderes políticos estão a ser atacados, esfaqueados e baleados nas ruas (...). A situação está a piorar, não pode mais ser negada ou ignorada, e é hora de erradicar esse mal".
Uma análise feita pelo `think tank` norte-americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), publicada no ano passado, apontou um aumento da violência da extrema-esquerda nos Estados Unidos nos últimos dez anos, desde a primeira eleição de Donald Trump em 2016.
No entanto, acrescentaram os autores do estudo, "aumentou a partir de níveis muito baixos e permanece bem abaixo dos níveis históricos de violência perpetrada por atacantes de extrema-direita e extremistas islâmicos".
Rubio mencionou a Europa como exemplo, referindo em particular a sabotagem da rede ferroviária francesa para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2024, ou a morte do ativista nacionalista Quentin Deranque em fevereiro em Lyon, atribuída a antifascistas.
Mas também ataques atribuídos à extrema-esquerda em Itália em 2024 e na Alemanha no início do ano.
Num relatório recente sobre contraterrorismo, o Governo de Donald Trump atacou a Europa, descrevendo-a como uma "incubadora de ameaças terroristas".