Rússia critica ONU por inclusão na lista de países que usam violência sexual como arma

Rússia critica ONU por inclusão na lista de países que usam violência sexual como arma

O representante permanente da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, criticou hoje a organização por incluir o seu país, pela primeira vez, na lista negra dos países suspeitos de cometer violência sexual em zonas de conflito.

Lusa /

"Sentimo-nos profundamente dececionados, e diria, inclusivamente, indignados, pela decisão claramente enviesada e politizada do secretário-geral da ONU [António Guterres] de incluir as forças de segurança russas na lista de partes responsáveis por atos de violência sexual", disse Nebenzia numa declaração à porta do Conselho de Segurança.

A ONU incluiu a Rússia e Israel no seu último relatório sobre o recurso a violações, escravatura sexual e sequestros como armas, apresentado há dias pela representante especial das Nações Unidas para este tema, Pramila Patten.

O anexo do relatório, relativo a 2025, acusa Moscovo de ter levado a cabo violações e abusos sexuais contra prisioneiros de guerra e detidos durante a guerra na Ucrânia.

Segundo Nebenzia, o relatório contém informação incriminatória que "não se pode comprovar" e garantiu que os critérios para chegar a essas conclusões são "superficiais, estão mal estruturados e não têm nenhuma análise de fundo".

"Dá a impressão de que o documento foi elaborado de forma superficial e com a intenção de chegar a um resultado pré-determinado para desacreditar a Rússia e ocultar as ações ilegais do regime de Kiev", disse.

O representante russo insistiu em acusar a Missão de Observações de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia de ter um "enviesamento antirrusso".

A reação do representante russo segue a mesma linha da do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, que criticou o secretário-geral da ONU pela decisão "vergonhosa e absurda" de incluir Israel na lista.

O relatório acusa o exército israelita de abusos cometido contra palestinianos em Gaza e na Cisjordânia.

O relatório da ONU, apresentado em 29 de maio por Pramila Patten, identifica 77 partes consideradas responsáveis por padrões de violência sexual relacionados com conflitos, incluindo 62 atores não estatais, acrescenta as Forças Armadas e de Segurança russas e israelitas "após a constatação de padrões contínuos de violência sexual documentados pela ONU".

De acordo com o documento, ambas as partes foram notificadas no ano passado sobre a possível inclusão na lista.

A este respeito, Patten comunicou às autoridades israelitas que deviam adotar uma série de "medidas preventivas", de acordo com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU para evitar a inclusão na lista, comunicação à qual responderam por carta, rejeitando as conclusões do relatório e a possibilidade de figurarem na referida lista.

Em relação à recusa de acesso aos observadores da ONU, Patten explicou que o Governo israelita declarou que não ia conceder vistos devido ao "viés institucional" por parte dos órgãos e mecanismos da ONU.

A inclusão de Israel na "lista negra" levou o Estado judaico a anunciar um corte de relações com António Guterres.

Nas redes sociais, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, descreveu a inclusão de Israel ao lado de organizações como o Hamas ou o Estado Islâmico como ridícula e defendeu Telavive como "uma democracia com um sistema judicial que investiga denúncias", ao mesmo tempo em que acusou a organização de "equiparar um Estado a grupos terroristas".

As Nações Unidas insistem que o relatório não constitui um processo legal, mas sim um mecanismo de monitorização baseado em informações verificadas e na avaliação de padrões de comportamento em contextos de conflito armado.

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