Rússia. Embaixadas em Kiev devem estar prontas a evacuar por risco de represálias a 9 de maio

Rússia. Embaixadas em Kiev devem estar prontas a evacuar por risco de represálias a 9 de maio

Numa insinuação de que a Ucrânia se estará a preparar para "interromper" as comemorações do Dia da Vitória, a 9 de maio, Moscovo instou, esta quarta-feira, as embaixadas estrangeiras a garantirem a "evacuação imediata" dos seus funcionários e cidadãos de Kiev, em antecipação de "inevitáveis ataques de retaliação".

RTP /
Embaixada do Afeganistão em Kiev após ataque russo em 2025 Vladyslav Musiienko - AFP

Num memorando enviado ao corpo diplomático, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo alertou especificamente para a "inevitabilidade de ataques de retaliação" contra a capital ucraniana, caso a Ucrânia interrompa as comemorações em Moscovo.

O risco evocado pelo governo russo serve de base ao apelo para que os países estrangeiros "garantam a evacuação imediata do pessoal das missões diplomáticas, bem como dos seus cidadãos, da cidade de Kiev". A Rússia propôs cessar os ataques dias 8 e 9 de maio, para permitir a comemoração da vitória na II Grande Guerra. A Ucrânia contrapropôs um cessar-fogo a partir desta quarta-feira, 6 de maio.

Segunda-feira, o Ministério da Defesa russo já tinha avisado que iria responder com um "ataque maciço de mísseis" contra a capital ucraniana em caso de ataques ucranianos durante os festejos. 

Num vídeo publicado no Telegram, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, confirmou esta quarta-feira  o alerta dirigido às missões diplomáticas, afirmando que o seu ministério "exorta veementemente as autoridades do seu país, a tratarem esta declaração com a máxima responsabilidade".

Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, acusou Moscovo de violar o cessar-fogo proposto por Kiev já a partir de 6 de maio

Apesar do Kremlin não ter confirmado a sua adesão à proposta da Ucrânia de acrescentar os dias 6 e 7 de maio à pausa nas hostilidades, Zelenskiy disse, em comunicado, que a Rússia tinha cometido 1.820 violações da pausa até ao final da manhã de quarta-feira, incluindo dezenas de ataques em campo aberto, ataques aéreos e ataques com drones.

Acção que o presidente ucraniano descreveu como um "desprezo evidente por um cessar-fogo e pela preservação de vidas".

Horas depois, na sua comunicação vídeo diária, Zelensky disse que a Rússia "respondeu à proposta apenas com novos ataques e novas investidas" e que a Ucrânia determinaria "as nossas respostas, totalmente justificadas", numa admissão de que poderá não respeitar o cessar-fogo do fim-de-semana.

O presidente ucraniano afirmou também que o seu país estava pronta para trabalhar pela paz, mas que, "se a única pessoa em Moscovo que não consegue viver sem guerra e está apenas interessada num desfile e nada mais, isso é outra questão".

"A Rússia lutou até ao ponto em que até o seu principal desfile depende agora de nós", ironizou.

PUB