Rússia pede soluções políticas para desacordos existentes
A Rússia pediu hoje soluções políticas para os desacordos existentes na Guiné-Bissau, salientando que rejeita quaisquer tentativas de mudança inconstitucional do poder.
"Moscovo está preocupada com os últimos acontecimentos na República da Guiné-Bissau amiga. Rejeitamos todos e quaisquer tentativas de mudança inconstitucional do poder", pode ler-se num comunicado divulgado pela embaixada da Rússia em Bissau.
No comunicado, a Rússia pede a todas as forças políticas da Guiné-Bissau a "absterem-se de ações que possam provocar a violência e a procurarem uma solução política para os desacordos existentes".
"Esperamos que a sociedade guineense continue a seguir o caminho do desenvolvimento estável e democrático", conclui.
Homens armados atacaram na terça-feira o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.
O ataque causou pelo menos 11 mortos, segundo o último balanço do Governo, e o Presidente considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá também estar ligada a "gente relacionada com o tráfico de droga".
O Estado-Maior General das Forças Armadas guineense iniciou entretanto uma operação para recolha de mais indícios sobre o ataque, que foi condenado pela comunidade internacional.
A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.
Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afetaram o desenvolvimento do país.