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Rússia terá sugerido encenar atentado contra Orbán para influenciar eleições na Hungria

Rússia terá sugerido encenar atentado contra Orbán para influenciar eleições na Hungria

Os serviços de informações russos terão proposto encenar uma tentativa de assassinato contra o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, para reforçar a sua popularidade antes das eleições legislativas de abril, noticiou no sábado o Washington Post.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Marton Monus - Reuters

Numa altura em que se aproximam as eleições na Hungria, e perante uma aparente queda da popularidade de Viktor Orbán, os serviços de informação russos sugeriram “uma ação drástica”, a que chamaram de “Gamechanger”.

A estratégia passava por encenar uma tentativa de assassinato de Orbán, segundo avança o Washington Post, que analisou um relatório interno do Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR).

Segundo o relatório, a proposta visava “alterar fundamentalmente” a campanha eleitoral, deslocando o foco para questões de segurança e estabilidade política.

“Um incidente deste tipo deslocará a perceção da campanha do âmbito racional das questões socioeconómicas para um plano emocional”, refere-se no documento citado pelo diário.


A sugestão de encenação do assassinato do atual primeiro-ministro húngaro revela o grau de importância que Moscovo atribui às eleições na Hungria. A proximidade entre Moscovo e Orbán tem permitido ao Kremlin manter uma posição estratégica dentro da NATO e da União Europeia, no contexto da guerra na Ucrânia.

De acordo com responsáveis de segurança europeus citados pelo Washington Post, a Rússia tem apoiado Viktor Orbán através de campanhas nas redes sociais, promovendo a ideia de que o líder húngaro é o único capaz de defender a soberania do país.
Orbán em queda
A iniciativa russa surge num contexto de aparente queda de popularidade de Orbán nas sondagens, numa altura em que se aproximam as eleições, marcadas para 12 de abril. Segundo as sondagens, o partido de Orbán, Fidesz, poderá ser derrotado pelo opositor conservador Péter Magyar, líder do partido Tisza.

No poder desde 2010, prevê-se que esta seja a campanha de reeleição mais difícil para Orbán, após três anos de estagnação económica. 

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou as informações do Washington Post, classificando-as como “desinformação”, enquanto o SVR não respondeu às questões levantadas pelo jornal.

Durante um encontro de ultraconservadores em Budapeste, no sábado, Orbán acusou a União Europeia e a Ucrânia de tentarem influenciar as eleições na Hungria para mudar o Governo húngaro, denunciando o que considera ser a “deterioração da democracia europeia”.
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