Saara Ocidental. Brahim Ghali reeleito secretário-geral da Frente Polisário

Saara Ocidental. Brahim Ghali reeleito secretário-geral da Frente Polisário

Brahim Ghali foi hoje reeleito pela segunda vez secretário-geral da Frente Polisário, ao vencer, com maioria absoluta, as eleições para a liderança do movimento que luta pela autodeterminação do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola anexada por Marrocos em 1975.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Em declarações à agência Lusa, o representante da Polisário em Portugal, Omar Mih, adiantou que e Ghali, eleito pela primeira vez como secretário-geral em 2016 e reeleito em 2019, obteve 1.253 votos (69%), contra o candidato rival, Bachir Mustafá, que recolheu 564 (31%).

Segundo Mih, a eleição decorreu durante os trabalhos do 16.º Congresso do movimento, que se realiza de três em três anos e que decorre desde 13 deste mês no acampamento de refugiados sarauís em Dakhla, na Argélia, terminando sábado.

Na votação, registaram-se ainda 53 votos nulos.

Ao obter mais de dois terços dos votos, Ghali foi reeleito de imediato e assume também a Presidência da República Árabe Sarauí Democrática (RASD). Caso contrário, teria de recorrer-se a uma segunda votação, em que o vencedor teria somente de obter uma maioria simples, tal como disse hoje à Lusa o porta-voz do Congresso, Mohamed Sidati.

Bachir Mustafa é um alto dirigente da Polisário e irmão de um dos fundadores da organização, El-Uali Mustafa Sayed, conhecido por Luali, morto em combate na Mauritânia em junho de 1976 na qualidade de Presidente da então recentemente autoproclamada RASD.

Os trabalhos do congresso terminam sábado com a eleição dos 27 membros do Secretariado Nacional da Polisário, menos dois do que na anterior direção.

No congresso, cujo comunicado final será conhecido depois da votação para o Secretariado, os delegados aprovaram a intensificação da luta armada contra Marrocos, confirmou Sidati hoje à Lusa.

Brahim Ghali, 73 anos, nasceu a 16 de setembro de 1949 em Smara, centro do Saara Ocidental, e, como co-fundador da Frente Polisário, é considerado uma figura histórica na construção da identidade sarauí e na defesa do referendo de autodeterminação, definido em 1991 através de uma resolução das Nações Unidas, tendo sido também embaixador da RASD em Espanha e na Argélia.

Os trabalhos do congresso, que começaram no dia 13 deste mês, deveriam ter terminado na terça-feira, mas a maratona de debates em torno da nova estratégia de atuação da Polisário para os próximos três anos e das alterações à "Lei Fundamental" do movimento empurraram o final da reunião para sábado.

A decisão mais importante, realçou hoje Sidati à Lusa, é a aprovação da estratégia focada na luta armada e diplomática contra Marrocos, que obteve consenso entre os delegados oriundos dos territórios ocupados por Marrocos (que controla 80% do território) e dos libertados, da diáspora sarauí e de várias delegações estrangeiras de África, Europa, América Latina e Ásia.

"Os delegados concordam que o lema do congresso ["Intensificar a Luta Armada para Derrubar o Ocupante e Impor a Soberania"] deve ser posto em prática e que a luta armada contra a ocupação deve ser intensificada", confirmou Sidati, sem adiantar pormenores sobre como será implementada a estratégia.

O 16.º Congresso é o primeiro convocado desde que, em 2020, a Polisário acusou Marrocos de violar o cessar-fogo assinado em 1991, sob os auspícios da ONU, e que prevê, segundo as resoluções aprovadas por todas as partes, a realização de um referendo de autodeterminação do povo sarauí, que nunca se concretizou.

A antiga colónia espanhola é considerada como um "território não autónomo" pela ONU, embora Rabat tenha o controlo de quase 80% deste território quase desértico de 266.000 quilómetros quadrados.

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