São Tomé e Príncipe. Comissão eleitoral revela que foi travado ataque a base de dados eleitorais
O presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) de São Tomé e Príncipe revelou que foi travado um ataque informático que visou a base de dados eleitorais e deu garantias de segurança para as eleições presidenciais de hoje.
"Ontem [sábado] às 23:00 [mais uma hora em Lisboa], o `site` sofreu uma tentativa de invasão e todos os sistemas foram desligados. E, pelas 14:00 de hoje, os técnicos conseguiram eliminar [a ameaça] e deixaram o `site` pronto para ser utilizado", explicou Jeudiger do Nascimento.
O responsável da CEN deu garantias de segurança em relação à integridade do processo, "que nada foi afetado e a base de dados foi preservada".
No terceiro balanço do dia, numa conferência de imprensa, o mesmo responsável admitiu existir "pouca afluência às urnas".
"É bastante fraca", enfatizou, indicando que não pode adiantar números gerais, mas deixando o exemplo de uma das maiores assembleias de voto, na capital, com 1.500 eleitores inscritos, mas onde nem um terço tinha ainda votado a menos de três horas do fecho das urnas.
Jeudiger do Nascimento aproveitou para criticar "o número crescente de `fake news` [notícias falsas], sobretudo porque algumas foram tornadas públicas por "candidatos que deveriam ter responsabilidade", alertando que tal desprestigia todo o processo eleitoral e a imagem de São Tomé e Príncipe.
O responsável deixou uma última nota para a confirmação de que em dois locais as urnas não chegaram a abrir devido a um boicote, no Ilhéu das Rolas e na Praia de Messias Alves.
Segundo a CEN, estavam previstas 358 assembleias de voto para estas eleições, 287 em São Tomé e Príncipe (distribuídas por seis distritos em São Tomé e pela Região Autónoma do Príncipe) e as restantes pela Europa (32 em Portugal) e 14 em quatro países africanos.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados hoje a escolher o próximo Presidente de São Tomé e Príncipe, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Quatro candidatos disputam as eleições presidenciais, cujo fecho das urnas está previsto para as 18:00.
O atual Presidente, Carlos Vila Nova, tem como principal adversário Nito d`Abreu.
Eugénio Tiny e Miques João são os outros dois candidatos, mas não contam com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.
Jorge Bom Jesus chegou a oficializar a sua candidatura, mas anunciou a sua desistência, ainda que fora do prazo legal. Ou seja, consta do boletim, mas, qualquer voto no candidato será considerado nulo.
Para a observação das eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe encontram-se no terreno várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.