São Tomé e Príncipe. Vila Nova avisa que "Presidente não faz estrada", mas "é árbitro" e garante da paz

São Tomé e Príncipe. Vila Nova avisa que "Presidente não faz estrada", mas "é árbitro" e garante da paz

O chefe de Estado de São Tomé e Príncipe avisou, no encerramento da campanha eleitoral de hoje, que "o Presidente não faz estrada", mas que "é árbitro" e serve também como garante da paz.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Em São João de Angolares, no distrito de Cuaé, em São Tomé, num país de regime semi-presidencialista, a seis dias das eleições presidenciais e a cerca de três meses das legislativas, sublinhou que é recandidato às eleições de domingo apoiado por uma plataforma que "tem gente de todos os partidos", porque "perceberam que Vila Nova veio para unir e não para dividir".

A mensagem de que a recandidatura tem lugar para todos é clara. Afinal, minutos antes, também a partir do palco, desafiava-se "quem é de Vila Nova", do Benfica, do Sporting e do Porto "a fazer barulho", procurando contagiar de entusiasmo a pequena multidão, na qual era possível surpreender a coexistência de um Messi e um Ronaldo, a julgar pelos nomes impressos nas costas das camisolas de Portugal e da Argentina.

Preocupado com a subida drástica da abstenção eleitoral, que em 2018 não chegou aos 20% nas legislativas, mas que nas últimas presidenciais já ultrapassava os 30%, o recandidato apelou aos apoiantes para não ficarem em casa e não acreditarem "nas mentiras" de que "Vila Nova já ganhou e não é preciso votar".

Vila Nova adotou o slogan "Primeiro, o país", num cenário eleitoral marcado por uma tensão política após a exoneração, no início de 2025, do primeiro-ministro, Patrice Trovoada, e líder do partido que o apoiou em 2021, a Ação Democrática Independente (ADI). Hoje, juntou, num discurso na terceira pessoa, o que diz ser uma evidência: Vila Nova "sabe representar o povo dentro e fora do país".

Quase uma hora antes, o animador de serviço, que anunciava os artistas locais que atuaram no largo central da localidade, já sublinhara duas das mais-valias do atual chefe de Estado: por um lado, conhece a casa - após cinco anos no palácio presidencial -, por outro, além do português, fala inglês e francês, pelo que "não precisa de intérpretes" para dialogar "com todo o tipo de pessoas".

Desta vez Vila Nova não conta com o apoio oficial da Ação Democrática Independente, mas de uma espécie de `consórcio` da oposição, que inclui o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), o Partido de Convergência Democrática (PCD) e o Partido Nossa Terra, bem como de uma ala dissidente da ADI.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D`Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

 

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