São Tomé. Nito d`Abreu o candidato "que também veio de baixo" promete ser "o Presidente do povo"
A caravana de Nito d`Abreu serpenteia entre a terra batida que ladeia casas de madeira e chapa, sem saneamento, estaciona num largo e o candidato são-tomense não perde tempo a prometer que será "um Presidente do povo".
O candidato apoiado pelo partido no poder, a Ação Democrática Independente (ADI), que pela manhã deu entrevistas de fato, dispensa agora, pela hora do almoço, na cidade de São Tome, o vestuário mais formal e, de mangas arregaçadas, garante que "desta vez vai ser diferente".
Falando na terceira pessoa, do camião-palco que debita as músicas da campanha, intervaladas com míni-comícios, lembra o jovem Nito que tinha de ir buscar água longe "porque não tinha água na torneira". A mensagem é simples de entender: "o vosso candidato Nito d`Abreu também veio de baixo".
Cá em baixo, em relação ao palco, momentos antes, uma popular, com um dos filhos pequeno seguro nas costas por um pano, dizia à Lusa, num lamento, que tinha de acordar todos os dias "às três horas da madrugada" para trazer a água necessária para cozinhar, para a higiene pessoal e para lavar alguma roupa.
Outra, lembra também outras dificuldades, das estradas degradadas aos apagões de energia. As duas concordam na explicação do voto: "Nito é boa pessoa" e "foi escolhido pelo Patrice [Trovoada]", o líder da ADI e o primeiro-ministro que o atual Presidente e recandidato, Carlos Vila Nova, exonerou no ano passado.
Ainda no palco do camião, o candidato Nito d`Abreu, que não ouviu as duas mulheres, mas que promete escutar e andar no meio do povo, ressalva: "não prometo milagres, mas temos de dar os primeiros passos".
O também líder parlamentar da ADI lamenta que São Tome e Príncipe "não tem nenhum plano de governação", mas assegura que isso vai mudar quando for eleito no próximo domingo.
O candidato, "jovem, firme e verdadeiro", como o próprio se define nos cartazes e no slogan impresso nas t-shirts, despede-se, entrega-se ao povo que rodeia o camião, sem antes recordar que passaram 51 anos de independência, assinalados este domingo, e que há muito por fazer naquele que é o segundo país mais pequeno de África, deixando a pergunta: "Vamos continuar assim mais cinco anos ou fazer diferente?".
O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D`Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.