São Tomé. Nito d`Abreu quer ser "Presidente do povo" e construir país "novo"

São Tomé. Nito d`Abreu quer ser "Presidente do povo" e construir país "novo"

 O candidato presidencial são-tomense Nito d`Abreu encerrou hoje a campanha eleitoral, para além da hora legal, prometendo ser "um Presidente do povo" e que é possível "construir um novo São Tomé e Príncipe", com condições mínimas para todos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Depois de passar por várias comunidades do distrito de Cantagalo, o candidato fechou a ação de campanha em frente da igreja de Santana, em cima do habitual camião de caixa aberta, que tem servido de palco para pequenos comícios.

"Existe um São Tomé e Príncipe onde podemos viver e ter as condições mínimas e esse São Tomé e Príncipe pode começar no dia 19 com cada um a decidir na consciência. Nós podemos construir um São Tomé e Príncipe diferente", defendeu o candidato, apelando ao voto dos eleitores.

Durante a curta intervenção - para lá das 18:20 (hora local, 19:20 de Lisboa), quando a lei determina que as ações de campanha devem terminar às 18:00 - o candidato pediu aos eleitores para não se esquecerem que "a decisão encontra-se no quadradinho número dois", o seu número no boletim de voto.

"Eu só espero que vocês não esqueçam quando saírem das vossas casas no domingo, se alguém vos chamar para tomar 200, 300 ou 500 [dobras]: toma, coloca no bolso e vota no dois", alertou, admitindo tentativas de compra de votos no dia das eleições.

Durante o discurso, desculpou-se por ter que terminar cedo para respeitar a lei, mas antes prometeu ser "um Presidente do povo para povo", passando "nas comunidades para ver e ouvir o que o povo tem que dizer".

A pressão contra o tempo notou-se antes na comunidade de Água Izé, quando o camião de caixa aberta passou sem parar, e o animador de som avisou a população para se dirigir a Santana, mas ninguém acatou o apelo e alguns até demonstraram descontentamento, insistindo que o candidato tinha que parar e entrar na comunidade.

"Ele tem que parar aqui em Água Izé. A comunidade vai votar nele porque é o candidato que vai resolver os problemas de São Tomé e Príncipe: hospital, estrada. Nito e o Governo de Patrice vão trabalhar juntos", disse à Lusa uma apoiante, que não quis identificar-se.

Outra mulher, também vestida a rigor com a camisola e chapéu do candidato, precisou que aguardavam por Nito d`Abreu em Água Izé desde as 10 horas, ao som do `Bulawê Ranca Mandioca` (conjunto musical tradicional de São Tomé), e por isso ficou preocupada quando ouviu que o candidato já não iria parar na comunidade.

"Tem que entrar [...] nós confiamos nele porque ele é jovem, veio do povo pequeno e nós somos pobres, vamos ajudar ele e ele vai nos ajudar também", disse uma mulher que se identificou como Rosa.

Às 17:40, o candidato chegou à comunidade de Água Izé e, pressionado pelo tempo, caminhou entre os populares até o centro da comunidade, onde a banda animava a população.

Após abraçar e saudar a população, candidato subiu a uma pequena carinha de caixa aberta, e numa curta intervenção prometeu trazer consigo "uma rotura com as práticas do passado". "Nós podemos muito bem construir um país que os nossos pais não conseguiram nos 50 anos", defendeu.

Questionado pela Lusa no final da campanha sobre o motivo de ter subido ao palco e continuar com as ações de campanha para além das 18h00, Nito d`Abreu justificou que quis evitar um pânico.

"Eu devo respeitar a lei, mas havia uma multidão à espera e eu já havia garantido que viria, por isso vim para resolver a situação, porque eu passando [sem parar] poderia criar um pânico", justificou o candidato.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D`Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

 

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