São Tomé. Vila Nova despede-se da campanha a avisar que adversários podem bloquear o país
Carlos Vila Nova, que tenta a reeleição presidencial em São Tomé e Príncipe, despediu-se hoje da campanha eleitoral a avisar os são-tomenses sobre os adversários políticos que podem bloquear o país e o funcionamento das instituições.
"Nos últimos dias temos sido confrontados (...) nos locais dos nossos comícios, nas atividades da nossa campanha, de grupos organizados" que tentaram "impedir (...) essas ações", acusou o chefe de Estado, argumentando que "quem bloqueia na campanha vai bloquear o funcionamento das instituições".
Aos jornalistas, após o comício final, Vila Nova sublinhou que esse impasse institucional faria de São Tomé e Príncipe "um país mais uma vez comprometido".
"Quero deixar uma mensagem a todos os são-tomenses, no último dia da campanha: não se deixem levar pela baixeza. A baixeza destrói, a baixeza não constrói. E Vila Nova quer coesão", garantiu.
Antes, no comício de encerramento da campanha, o candidato deixara a pergunta: "Alguém ouviu Vila Nova falar mal de alguém (...) a desunir o povo? Alguém ouviu Vila Nova falar da raça, da cor da pele?". A pergunta retórica serviu para enfatizar, depois, com os jornalistas, "o civismo e a elevação" com que conduziu a campanha.
Em Monte Café, localidade praticamente engolida hoje pelo nevoeiro, Vila Nova começou o último dia da campanha com a certeza de que "a festa está bonita", mas convencido de que "será ainda maior no domingo à noite", após as eleições.
O atual Presidente, ao contrário do principal adversário, Nito d`Abreu, apostou os últimos `trunfos` em repetir a campanha de estrada, sempre com uma mensagem que procurou sobretudo prevenir a abstenção, que em 2018 não chegou aos 20% nas legislativas, mas que nas últimas presidenciais já ultrapassava os 30%.
"É estratégia para fazer reforço, nos sítios onde há mais eleitores", explicou à Lusa um dos líderes locais, em Cruzeiro, nos arredores da capital.
Mais à frente, Vila Nova reafirmou a vontade de regressar ao palácio presidencial para "garantir paz e harmonia" social e institucional, uma das grandes ideias da sua campanha, no momento em que o país vive uma série de impasses jurídicos que têm minado o funcionamento partidário e parlamentar.
Vila Nova adotou o slogan "Primeiro, o país", num cenário marcado pela tensão política após a exoneração em 2025 do primeiro-ministro, Patrice Trovoada, líder do partido que o apoiou em 2021, a Ação Democrática Independente (ADI).
O Tribunal Constitucional acabaria por declarar inconstitucional o decreto presidencial de exoneração, mas sem efeitos retoativos.
A disputa transbordou para a ADI e para o parlamento, onde tanto no partido como na Assembleia Nacional está por resolver um imbróglio jurídico sobre a legitimidade de presidentes eleitos.
Desta vez Vila Nova não conta com o apoio oficial da ADI, mas de uma plataforma da oposição, que inclui o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala da oposição da própria ADI.
O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D`Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.