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Serviços secretos alemães investigados por envolvimento em atentado

Serviços secretos alemães investigados por envolvimento em atentado

Um dos serviços de informações alemão, o BND, está a ser alvo de um inquérito parlamentar por suspeita de envolvimento num atentado de há 23 anos, que custou a vida a 13 pessoas. O atentado bombista, cometido na "Festa de Outubro", em Munique, tem sido até agora atribuído a um terrorista de extrema-direita.

RTP /
A "festa da cerveja", em Munique, no ano passado Kai Pfaffenbach, Reuters

Logo desde o início, fora posto em dúvida que Gundolf Köhler, o militante de extrema-direita que se presumia autor do atentado, tivesse actuado sozinho. Köhler foi um dos 13 mortos que em 26 de setembro de 1980 causou o rebentamento do explosivo. Houve também 211 feridos, alguns com gravidade. Tratou-se do atentado mais sangrento na história alemã do pós-guerra.
Suspeitas sobre a "Gladio" Desde logo, suspeitava-se de um envolvimento do Wehrsportgruppe Hoffmann (grupo paramilitar neo-nazi), do qual Köhler fazia parte. Suspeitas foram também manifestadas pelo historiador Daniele Ganser, sobre a cumplicidade de uma organização da Gladio (patrocinada pela CIA e pelo MI-5, no contexto da "Guerra Fria").

Em Junho de 2009 a bancada parlamentar dos Verdes no Bundestag interpelou o Governode Berlim sobre alegadas responsabilidades da Gladio, à semelhança das que tinham sido apuradas para um atentado semelhante ocorrido em Bolonha, mas não obteve resposta.
Uma testemunha inesperadaAs dúvidas sobre a tese do terrorista individual da Oktoberfest, com uma imagem semelhante à do norueguês Anders Breivik, viram-se recentemente reforçadas pelas declarações de um homem que testemunhava em processo a correr na Justiça luxemburguesa.

Andreas K. - assim é identificada a testemunha - diz ser filho de um antigo tenente do exército alemão, já falecido, que era também agente do serviço secreto Bundesnachrichtendienst (BND). Segundo Andreas K., o pai terá sido simultaneamente agente secreto e militante de extrema-direita. Terá sido ele um dos construtores da bomba para a Oktoberfest.

As declarações da testemunha, de fiabilidade desconhecida, surgem no contexto de uma grande vaga de críticas aos serviços secretos alemães, por terem falhado durante vários anos na investigação de atentados neonazis contra imigrantes, principalmente turcos.

A célula neo-nazi conhecida como NSU (Clandestinidade Nacional-Socialista) matou nas duas últimas décadas pelo menos dez pessoas. Os seus membros tinham estado detidos pela polícia, que no entanto os libertou. A sua organização tinha pelo menos um infiltrado, que nada fez para impedir os homicídios e até terá fornecido a arma dos crimes. A investigação foi sempre orientada para uma hipótese de ajustes de contas dentro da "mafia turca", desviando as atenções da NSU.
BND e "terrorismo de Estado" As suspeitas sobre infiltrações ou cumplicidades neo-nazis nos serviços secretos irão portanto ser tema para o inquérito parlamentar a realizar. Também o Governo se diz decidido a investigar essas suspeitas.

Em declaração citada no Südddeutsche Zeitung, a porta-voz do partido "A Esquerda", Ulla Jelpke, protestou por continuarem inacessíveis os arquivos da BND referentes ao período em causa e não hesitou em afirmar que está em causa apurar se a mesma BND não será uma "organização terrorista de Estado".

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