Serviços secretos britânicos espiaram conversas entre advogados e clientes
Londres, 07 nov (Lusa) -- Os serviços de informações e de segurança do Reino Unido espiaram comunicações protegidas pelo segredo profissional entre advogados e clientes, revelaram documentos confidenciais divulgados na quinta-feira por um tribunal britânico.
O Tribunal de Poderes de Investigação (IPT, na sigla em Inglês), que recebe as queixas sobre o comportamento dos serviços secretos, designadamente o MI5, que se dedica à segurança interna, o MI6, à externa, e o GCHQ, o chamado centro de escutas britânico, revelou as regras que estes serviços seguem.
Os documentos foram tornados públicos depois de uma denúncia contra o governo do Reino Unido de dois cidadãos líbios, Abdul Hakim Belheaj e Sami al-Saadi, a propósito das circunstâncias da sua detenção em 2004.
Os documentos estavam classificados até agora como confidenciais, para proteger a segurança nacional, mas o IPT desclassificou-os.
Nas indicações aos seus agentes, o GCHQ insta a "por princípio intercetar as comunicações dos advogados", se bem que recomende "avaliar a necessidade e a proporcionalidade" dessas intervenções.
O MI5, por sua parte, detalha que a informação protegida pelo segredo profissional entre os advogados e os seus clientes deve ser utilizada "como qualquer outro item de informação".
O advogado dos queixosos, Cori Crider, que dirige a organização de defesa dos direitos humanos Reprieve, disse à estação pública britânica BBC que a informação tornada pública "mostra que os serviços de informações têm estado a espiar as conversações entre advogados e clientes desde há anos".
Depois de considerar que esta situação "tem implicações problemáticas para todo o sistema judicial britânico", Crider interrogou: "Em quantos casos o governo espiou para obter uma vantagem injusta nos tribunais?"