Sete pessoas detidas em Hong Kong no aniversário da repressão de Tiananmen
A polícia de Hong Kong deteve na quinta-feira sete pessoas por transportarem flores, fazerem gestos comemorativos ou vestirem roupas de luto no 37.º aniversário da repressão de 1989 na Praça de Tiananmen.
Cinco homens e duas mulheres, com idades entre os 17 e os 79 anos, foram detidos temporariamente sob a acusação de perturbação da ordem pública perto do Parque Victoria.
Todos os identificados, incluindo o antigo presidente da extinta Liga dos Social-Democratas, Chan Po-ying, e a ativista Virginia Fung, foram libertados horas depois, sem serem acusados.
O dia foi marcado por uma forte presença policial.
Dezenas de polícias controlavam o acesso ao metro e ao perímetro do local onde, durante quase três décadas, até 180 mil pessoas se reuniram para a maior vigília à luz das velas do mundo em memória da repressão de 1989 na Praça de Tiananmen.
As autoridades tinham avisado que iriam tomar medidas contra qualquer risco para a segurança nacional.
A operação começou na quarta-feira, quando um artista de Hong Kong, Chen Sanmu, tentou amarrar um fio vermelho simbólico a um poste de sinalização em Causeway Bay, um movimentado bairro comercial, mas foi detido de imediato.
Na noite de quarta-feira, outra artista, Chan Mei-tung, que se encontrava em frente a uma zona comercial, segurava um balão em forma de ponto de interrogação, quando foi parada pela polícia, que a acompanhou de volta à estação de metro.
As ações policiais coincidem com o fim do julgamento da liderança da Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Patrióticos e Democráticos da China, a plataforma que organizou a vigília histórica até à sua dissolução em 2021.
O advogado Chow Hang-tung e o ativista Lee Cheuk-yan declararam-se inocentes das acusações de "incitar à subversão do poder estatal" ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020.
Um terceiro arguido, o ex-legislador Albert Ho, declarou-se culpado no julgamento, realizado perante três juízes nomeados pelo governo.
As três figuras da oposição estão em prisão preventiva desde 2021, aguardando o veredicto, previsto para julho, e enfrentam penas máximas de dez anos.
Em 04 de junho de 1989, o exército chinês avançou com tanques para dispersar protestos pacíficos liderados por estudantes, que pediam reformas democráticas para o país, causando um número de mortos que ainda hoje é objeto de discussão.
Estimativas chegam às dez mil vítimas, embora Pequim defenda que a repressão dos "tumultos contrarrevolucionários" tenha levado à morte de duas centenas de civis.
Durante três décadas, Hong Kong e Macau foram os únicos locais em solo chinês onde o 04 de junho em Pequim foi lembrado de forma pacífica, com vigílias anuais que, no caso de Hong Kong, reuniam dezenas de milhares de cidadãos.
A Polícia de Segurança Pública de Macau disse à Lusa não ter sido notificada sobre a organização de reuniões ou manifestações.
Em 2020, as autoridades proibiram, em Macau e Hong Kong, pela primeira vez em 30 anos, a realização da vigília em espaço público, numa decisão justificada com os trabalhos de prevenção da covid-19.
Já no ano seguinte, a PSP Macau citou pela primeira vez razões políticas para interditar a comemoração.