Sindicatos franceses esperam mobilizar mais de um milhão de pessoas
Os sindicatos franceses esperam mobilizar na greve geral de terça-feira mais de um milhão de pessoas, para exigir mais empregos e melhores salários ao Governo, que irá pôr à prova a sua popularidade.
A fasquia é a da greve de 10 de Março deste ano, convocada pelos mesmos motivos, a defesa de melhores salários e a criação de empregos.
Na opinião de Bernard Thibault, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), partilhada por Jean-Claude Mailly, da Força Operária, as cerca de 150 manifestações previstas para terça-feira serão "mais fortes" do que as de Março.
Numa sondagem publicada hoje pelo jornal L`Humanité, 74 por cento dos franceses estão de acordo com esta jornada de protesto, apoiada pelos partidos de esquerda (PS, PCF, Verdes e LCR).
O conflito laboral nos transportes marítimos da Córsega (SNCM), cujos trabalhadores se opõem à privatização parcial anunciada pelo governo, é uma das bandeiras desta greve, pois é um cenário que preocupa os trabalhadores dos caminhos-de-ferro (SNCF) e transportes de Paris (RATP).
Como habitualmente, é nos transportes públicos que a amplitude do movimento de protesto será observada, sendo também um teste para a SNCF e RATP, empresas que vão aplicar um novo sistema que pretende garantir um tráfego mínimo.
As paralisações começam hoje às 20:00 horas nos caminhos-de- ferro, nos quais estão previstas reduções de serviço de 40 por cento nos TGV ou de 65 por cento nos comboios suburbanos na região de Paris.
No Metro e autocarros da capital, os problemas deverão variar conforme as linhas, enquanto os aeroportos poderão registar perturbações se a adesão dos controladores aéreos for grande.
As paralisações deverão afectar igualmente as escolas, onde os professores contestam os cortes orçamentais e de postos de trabalho, os correios, as auto-estradas ou os voos da Air France.
O sector privado é igualmente convidado a associar-se a este protesto, nomeadamente contra os despedimentos na Hewlett-Packard, exemplo de como as "deslocalizações" afectam também os empregos qualificados.
Do outro lado da barricada vai estar o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, em funções há quatro meses, e que elegeu o emprego como prioridade.
Apesar de o número de desempregados ter baixado 0,2 por cento em Agosto, o governo continua a ser unanimemente criticado pelos sindicatos, por ter imposto um contrato de trabalho que facilita os despedimentos nas pequenas empresas.