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Soldados e aviões não-tripulados dos EUA no Níger para espiar islamitas do Mali

Soldados e aviões não-tripulados dos EUA no Níger para espiar islamitas do Mali

Os Estados Unidos vão estabelecer uma base de aviões não-tripulados no Níger para espiar as atividades da al-Qaeda no Saara ocidental. Os “drones” americanos vão recolher informações para apoiar as tropas francesas que combatem os militantes islamitas no vizinho Mali. O presidente Barack Obama revelou sexta-feira que cerca de 100 soldados americanos estão já no Níger e fontes lidas à Defesa consideram provável que esse número venha a crescer em breve.

RTP /
REUTERS, Força Aérea EUA, Ten. Coronel Leslie Pratt

Numa carta ao Congresso, Barack Obama disse que 40 soldados dos EUA chegaram quarta-feira ao Níger, o que eleva para “cerca de 100” o número de tropas americanas no país.

Segundo Obama, as tropas estão armadas para fins de autodefesa e têm como missão dar apoio aos franceses que combatem grupos ligados à al-Qaeda no Mali.

De acordo com o Washington Post, trata-se de um novo capítulo no longo combate dos Estados Unidos contra a al-Qaeda a juntar-se às operações que o Pentágono já tem em curso no Afeganistão, Iémen e Somália.

A CIA também tem vindo a realizar ataques-aéreos, com aviões não-tripulados, contra alvos da al-Qaeda no Paquistão e Iémen.
Missão de apoio às forças francesas no Mali
Na carta que escreveu aos congressistas, Barack Obama não revelou, especificamente, o estabelecimento de uma base de drones, mas disse que as tropas americanas no Níger vão “fornecer apoio à recolha de informações “, e partilhar as informações com as forças francesas no Mali.

Segundo Obama, as autoridades do Níger “deram autorização” para que as tropas americanas operem no seu território.

Falando sob condição de anonimato, um responsável do Departamento de Defesa confirmou entretanto ao Washigton Post que os 40 soldados americanos que chegaram na quarta-feira ao Níger pertencem quase todos à Força Aérea e que a sua missão é dar apoio a voos de drones .

A mesma fonte revelou que o início das operações está “iminente” mas recusou-se a confirmar se já chegaram ao Níger aviões não tripulados Predator ou quantas destas unidades irão ser baseadas no país.

Inicialmente, os aparelhos serão baseados na capital, Niamey, mas os militares gostariam de os reposicionar mais tarde na cidade de Agadez a norte, que se encontra mais próxima das regiões do norte do Mali onde a al-Qaeda mantém as suas células.
Número de soldados americanos no Níger poderá aumentar
“Essa é uma localização melhor para esta missão mas, nesta altura, ainda não é viável”, disse o responsável, explicando que Agadez é uma cidade mais remota que apresenta muitos problemas do ponto de vista logístico.

As informações recolhidas serão partilhadas com os militares franceses e de alguns países africanos, de modo a que possam atacar alvos da Al-Qaeda.

O responsável da Defesa disse que é provável que sejam enviadas mais tropas americanas para o Níger , mas recusou-se a especificar números.
Operações só de vigilância... por agora...
Segundo a fonte do Washington Post , os Predator vão apenas conduzir operações de vigilância e não está previsto que realizem ataques contra alvos no solo, como os que têm ocorrido nas regiões fronteiriças do Paquistão ou no Iémen .

“Trata-se de uma missão puramente de recolha de informações”, disse. No entanto, outros responsáveis da administração Obama não excluem que, futuramente, os Predators que operam a partir do Níger, possam vir a ser armados com mísseis.
Envolvimento dos EUA no Saara ocidental tem vindo a aumentar

Desde há vários meses que os responsáveis políticos de Washington têm vindo a dizer que os EUA não colocarão “homens no terreno” no Mali, mas indiretamente, tem-se registado um envolvimento cada vez maior dos americanos no apoio às operações que os franceses e os seus aliados africanos estão a conduzir contra os rebeldes islamitas no norte daquele país.

O envio de
Predators para o Níger vem preencher uma lacuna nas capacidades militares dos Estados Unidos no norte do Mali, uma região que está fora do alcance dos voos não–tripulados conduzidos a partir de bases situadas na África oriental e do sul da Europa.
Vigilância com outros meios  já decorre há meses
O Pentágono tem vindo a realizar desde há anos voos de vigilância com pequenos aviões a hélice PC12, sobre a África ocidental e o norte do Mali. No entanto estes aparelhos têm uma autonomia limitada e não dispõem dos sofisticados sensores que equipam os Predator.

Voos com PC12 estão a ser conduzidos desde há meses a partir de Agadez , mas esses aviões não ostentam marcas militares e necessitam apenas de uma mão cheia de pessoas para poderem operar.

Por contraste, os Predator necessitam de equipas de terra para efetuar os lançamentos e para recuperar os drones, bem como para os reparar e efetuar a manutenção. Essas tripulações necessitam, por seu lado de serem acompanhadas por pessoal armado que lhes fornece proteção.

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