Sonda Solar Parker volta hoje a olhar o Sol e desta vez mais perto

Sonda Solar Parker volta hoje a olhar o Sol e desta vez mais perto

Este domingo, a sonda Parker da NASA realiza a terceira passagem pelo Sol desde o inicio da sua missão escaldante.

Nuno Patrício - RTP /
Foto NASA/DR

Além desta, prevista para este domingo pelas 13h50 EDT (1750 GMT e em Portugal), a Parker Solar Probe fará ainda mais 21 mergulhos ousados na coroa até ao fim da missão, programada para 2025.

Projetada para ajudar os cientistas a entender e a compreender melhor a nossa estrela, e em particular, a corona solar (atmosfera externa), a Parker enfrenta a cada passagem temperaturas de milhões de graus Celsius. Um escudo térmico de porcelana consegue proteger todo o equipamento que mede a superfície visível do Sol.

Nas duas passagens já realizadas, a primeira em novembro de 2018 e a segunda em abril deste ano, os cientistas conseguiram recolher milhares de dados.


As informações já fornecidas pela sonda levaram os cientistas a dar-lhe novas ordens, para ligar antecipadamente os instrumentos no decorrer da terceira passagem. Uma ação que se deve ao elevado fluxo de dados e rapidez com que eles foram recebidos nas duas primeiras passagens.

A Parker Solar Probe ligou os quatro instrumentos cientificos a 16 de agosto, estendendo o período de observação de 11 para 35 dias.

Nomeadamente:

FIELDS (Campos) mede ondas e turbulência na heliosfera interna com alta resolução de tempo para entender os campos associados a ondas, choques e reconexão magnética, um processo pelo qual as linhas de campo magnético realinham explosivamente.

WISPR analisa a estrutura em larga escala da coroa e do vento solar, antes que a sonda voe através dela. Do tamanho de uma caixa de sapatos, o WISPR tira imagens de longe de estruturas como ejeções de massa coronal, ou CMEs, jatos e outras projeções do Sol.

SWEAP reúne observações, usando dois instrumentos complementares: o Solar Probe Cup, ou SPC, e o Solar Probe Analyzers, ou SPAN. Os instrumentos contam as partículas mais abundantes no vento solar - elétrons, prótons e íons hélio - e medem propriedades como velocidade, densidade e temperatura para melhorar a nossa compreensão do vento solar e do plasma coronal.

ISʘIS  Investigação Científica Integrada do Sol - ISʘIS, pronunciada “ee-sis” e incluindo o símbolo para o Sol na sua sigla - usa dois instrumentos complementares numa investigação científica combinada. para medir partículas numa ampla gama de energias. Ao medir elétrons, prótons e íons, o ISʘIS irá entender o ciclo de vida das partículas - de onde elas vieram, como se tornaram aceleradas e como se movem do Sol através do espaço interplanetário.
(Fonte NASA)

O que se espera

Com um maior periodo de funcionamento dos instrumentos da Parker, 35 dias seguidos - três vezes mais do que nas duas primeiras órbitas - a janela de observação mais longa significa que a sonda fará medições aproximadamente duas vezes mais afastadas da superfície visível do Sol. Contudo nesta terceira passagem a sonda da NASA estará mais perto da superfície solar do que nas duas primeiras passagens.


A cada volta ao redor do Sol, a sonda irá aproximar-se um pouco mais da atmosfera da estrela, percurso que possibilita oportunidades mais ousadas de realizar ciência em torno da nossa estrela.

Com este terceiro periélio (ponto mais próximo do Sol), os cientistas esperam que dados extras ajudem a desvendar mistérios duradouros sobre o sol e como isso afeta o sistema solar.

A quarta trajetória orbital da Parker irá inclui uma manobra em torno de Vênus, usando a gravidade deste planeta, o mais quente do Sistema Solar, para conseguir impulso que a coloque ainda mais perto do Sol, estabelecendo o próximo periélio para 29 de janeiro de 2020.
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