STAR TREK: 50 anos a viajar pela imaginação da humanidade

As naves Enterprise da Federação Unida de Planetas viajam no espaço há 50 anos, entre batalhas e acordos trémulos com Klingons, Romulos e Cardassianos, e de caminho já viram vários rostos e tripulações, começando em meados da década de 60 do século XX. Pioneira para uns, visionária para outros, a saga “Star Trek – O Caminho das Estrelas” conquistou muitos seguidores, e sempre com “a missão de explorar novos mundos, pesquisar novas vidas e novas civilizações."





A saga de ficção científica deu origem a várias séries e meio século depois volta às origens, renovada e com mais aventuras, "indo onde ninguém esteve anteriormente."

Desde que o ser humano começou a dominar a arte de voar que alcançar mais alto e mais longe se tornou uma ambição. Foi já no final da Segunda Guerra Mundial que surgiram, pelas mãos de cientistas alemães às ordens de Adolf Hitler, as primeiras máquinas com grande capacidade de propulsão e deslocação.

Inicialmente com os V1 e pouco depois com os V2, semelhantes aos atuais foguetões, mudou-se o paradigma da conquista dos céus pelo ser humano.

Na década de 60 e debaixo de uma constante "guerra fria" entre a ex-URSS e os Estados Unidos, a corrida à conquista do espaço tornou-se cada vez mais intensa, sendo a Rússia a primeira a colocar um objeto artificial em órbita terrestre.

Mas a realidade não chegava para a humanidade e foram muitos os filmes e séries que nessa época surgiram nos ecrãs sobre este tema tão espacial.

Séries de ficção cientifica, como Doctor Who (1963) ou Perdidos no Espaço (1965), foram pioneiras entre muitas, mas foi com a série Star Trek (Caminho das Estrelas V.P.), exibida desde 8 de setembro de 1966 até 3 de junho de 1969 na cadeia televisiva norte americana NBC, que se tornou mais vincado o conceito de viajar para fora do sistema solar numa grande nave interplanetária tripulada, quase roçando a realidade.


Star Trek - A origem
Quando o criador e produtor televisivo Gene Roddenberry idealizou a série Star Trek, em 1964, pensou ter reunido todos os ingredientes para uma série de sucesso, mas foi difícil "lançar" a primeira viagem da intrépida equipa da USS Enterprise – NCC 1701.

Não que fossem invadidos por uma legião de extraterrestres ou destruídos por uma valente explosão espacial, mas sim pela tentativa fracassada da apresentação e venda do produto.

Inicialmente, Gene Roddenberry tentou a cadeia televisiva norte americana CBS, que declinou a série em favor do Lost in Space criado por Irwin Allen.

Posteriormente, na apresentação do episódio piloto, os representantes da estação NBC não gostaram do episódio The Cage, a que se juntou o facto de o elenco inicial não funcionar.

A nova série Star Trek sofria assim um valente abanão, ficando mesmo sob sério risco de desaparecer.

O episódio piloto The Cage (A Caixa, V.P.), foi rejeitado pela NBC em fevereiro de 1965. Contava a história da USS Entreprise sob comando do Capitão Christopher Pike, que recebe um sinal de socorro vindo do quarto planeta do sistema Talos.

A equipa da Enterprise encontra então vários sobreviventes de uma expedição científica, desaparecidos há 18 anos. Entre eles estava uma bela jovem chamada Vina, que se viria a revelar estar sob domínio dos talosianos, tendo como missão prender os elementos da nave terrestre NCC 1701.



Neste episódio contracenaram Jeffrey Hunter, com o papel de Capitão Christopher Pike, Leonard Nimoy como Spock, Majel Barrett como Número Um, John Hoyt como Dr. Phillip Boyce, Peter Duryea como Tenente José Tyler e Laurel Goodwin como J. M. Colt.

Apesar de nunca ter ido para o ar na sua versão original, o The Cage foi remasterizado em 2006 e  exibido a 2 de maio de 2009, uma semana antes da estreia de Star Trek, como parte da remasterização na celebração dos 40 anos da série.



Star Trek - A história da série clássica
A saga Star Trek surgiu pela primeira vez nos ecrãs sob a forma de série decorriam os anos 60.

Depois do fiasco do episódio piloto, a cadeia de televisão norte-americana NBC encomendou 16 episódios, já com um novo elenco e com histórias mais atrativas para o público televisivo. Um novo primeiro episódio foi emitido há 50 anos, no dia 8 de setembro de 1966.

A primeira temporada foi exibida entre 1966-1967, com um misto de críticas positivas e outras menos favoráveis. Houve mesmo quem catalogasse a série como "uma incrível e melancólica bagunça de confusões e complexidades".

Apesar das críticas, o público norte-americano adotou com facilidade a temática da série, levando a NBC a encomendar dez novos episódios, ainda dentro da primeira temporada, e uma segunda temporada para começar em março de 1967.

A NBC não estava a obter com a série os resultados desejados, e já com a nova temporada a decorrer, entre 1967 e 1968, a cadeia de televisão norte-americana viu-se obrigada a criar uma campanha promocional, onde Kirk e seu companheiro Spock surgiam numa fotografia.

Por incrível que pareça, os índices de audiência muito abaixo do previsto nunca levaram a NBC a ponderar o cancelamento da série. De tal forma que, em janeiro de 1968, a Associated Press fez saber que as hipóteses de uma terceira temporada eram "excelentes".

O que os críticos não sabiam era que a emissora tinha encomendado uma sondagem para saber qual era o público-alvo do Star Trek. Qual não foi a surpresa, quando o estudo concluiu que a série tinha uma "audiência de qualidade", incluindo "homens bem educados de altos rendimentos", face a outros programas de qualidade “superior” exibidos na NBC.

Mas, para surpresa da NBC, correram na altura vários rumores que a série estava em risco de cancelamento.

Face a tais informações, os fãs mobilizaram-se e escreveram milhares de cartas de apoio à série, tentando salvá-la do iminente cancelamento.

Surgiram também vários movimentos estudantis, entre os quais um proveniente do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que marchou até ao estúdio da NBC, em janeiro de 1968, para apoiar a série Star Trek, carregando cartazes onde se podia ler: "Escolham Spock" e "Poder Vulcano".

Perante tal pressão, a emissora acalmou os espectadores e garantiu que não haveria nenhum cancelamento.

O jornalista da RTP Mário Augusto, especialista em cinema, conversou com o Online da RTP, e contou um pouco da história do Star Trek.



Já em 1968, com o lançamento da terceira temporada, a NBC ponderou colocar a exibição da série às segundas, com a esperança de aumentar a audiência depois do enorme apoio recebido pelos fãs.

Mas, em março de 1968, a NBC moveu a série para às dez da noite de sexta-feira, uma hora considerada como "horário da morte",  indesejável para quem pretendia atingir a camada espetadora mais jovem.

Além do "mau" horário, a série Star Trek estava apenas a ser exibida em 181 das 210 delegações da NBC, espalhadas pelo território norte-americano.

O criador, Gene Roddenberry, tentou convencer a NBC a dar uma nova oportunidade a Star Trek, colocando a série num novo horário. Mas não obteve sucesso.

Com esta série de acontecimentos, Roddenberry afastou-se e deixou de ter envolvimento direto com a série no começo da temporada 1968-69, sendo substituído por Fred Freiberger como produtor. Com o tempo, a cadeia NBC reduziu o orçamento para a produção de novos episódios.

O último dia de filmagens de série clássica Star Trek foi a 9 de janeiro de 1969. Depois de três temporadas e 79 episódios a NBC cancelou mesmo o projeto, apesar da nova investida dos fãs, que tentaram evitar tal desfecho.


USS Enterprise: a nave
Muitas têm sido as naves USS Enterprise, que ao longo dos anos vão surgindo nos écrãs, consoante as sequelas da série. Ora são destruídas em combate, ora modernizadas, mas todas elas com o mesmo nome original e sempre com o mesmo número de registo, NCC 1701, apenas alterado a letra final.

Os primeiros rascunhos da USS Enterprise (NCC 1701) surgiram pela mão de Matt Jefferies, um dos criadores de desenho artístico na série Star Trek.

A "fantástica" nave interestelar, foi originalmente batizada com o nome de SS Yorktown, segundo The Star Trek Encyclopedia Pocket Books de 1999, mas já continha a referência NCC 1701.

A matrícula espacial não está longe das matriculas reais existentes nos Estados Unidos, visto que os registos das aeronaves norte americanas começarem por NC. O último C foi então acrescentado para haver a "tal" diferenciação da realidade. Quanto à numeração "1701", tudo leva a crer que tem a ver com o facto de a versão final ter sido o 17º esboço da nave.

Mas, voltando ao nome, a designação USS quer dizer United Space Ship. O Enterprise significa apenas um dos nomes dentro das classes de naves espaciais.

Esta nave espacial ficcional pertence à classe Constitution, fazendo parte de milhares de naves ao serviço da Starfleet - Federação Unida do Planetas.



A USS Enterprise - XCV 330 surge no filme Star Trek: The Motion Picture num conjunto de cinco imagens que Kirk mostra ao emissário de V’ger, representando as diferentes naves com o nome de Enterprise. O Star Trek Spaceflight Cronology, de 1979, descreve esta nave como o "primeiro cruzeiro interestelar" da classe Declaration lançada em 2123.



A Enterprise NX 01 surge na série Star Trek: Enterprise aos comandos do capitão da Frota Estelar da Terra Unida, Jonathan Archer. As duas primeiras temporadas desta série mostram a exploração interestelar realizada por uma tripulação de uma nave da Terra capaz de ir mais longe e mais rápido do que qualquer outro humano jamais foi, devido ao desenvolvimento do sistema que permite viajar cinco vezes mais rápido que a luz - Warp 5.

A ISS Enterprise (NX-01) é uma nave da classe NX ao serviço do Império Terreno durante o inicio do século XXII. A tripulação era multiplanetária constituída por terrestres, vulcanos e denobulans.

A nave foi destruída em 2155 devido a uma brecha, seguida de explosão do contentor de antimatéria, estando o capitão Forrest a bordo da nave aquando da sua destruição.



São três as naves com o nome de USS Enterprise e aparecem na série Star Trek original, bem como nos filmes subsequentes:

A primeira Starship Enterprise da Federação é o cenário principal da série original Star Trek. Uma nave espacial que é reformulada especialmente para surgir nas sequelas de longa-metragem em Star Trek: The Motion Picture e Star Trek II: The Wrath of Khan, antes de ser destruída em Star Trek III: The Search for Spock.



A nave aparece pela primeira vez no final de Star Trek IV: The Voyage Home e é o cenário principal de Star Trek V: The Final Frontier e Star Trek VI: The Undiscovered Country. A nave é enviada para desmantelamento no final da sequela.



A NCC-1701B surge no início do filme Star Trek Generations, onde o Almirante James T. Kirk desaparece, na viagem inaugural da nova Enterprise.


Star Trek - The Next Generation

São três as naves, com o nome de Enterprise, a surgir na sequela Star Trek: The Next Generation.



A NCC-1701-C, surge pela primeira vez no décimo quinto episódio (Yesterday's Enterprise), da terceira temporada da série de ficção científica Star Trek: The Next Generation.

A nave tem uma aparição fugaz, sendo destruída ao defender o posto klingon de Nerendra III, durante um ataque romulano.
 
Neste filme o enredo envolve a nave numa versão de realidade alternativa em que a nave volta para o passado. As ações da Enterprise-C tornaram-se um catalisador de aliança da Federação com o Império Klingon.



A NCC-1701-D é o cenário principal de Star Trek: The Next Generation.

Durante a sequela da Star Trek Generations, a Enterprise envolveu-se numa batalha espacial contra os Romulanos, tendo sofrido elevados danos e levando mesmo a uma rutura do núcleo warp.

É precisamente nessa batalha que o disco da nave se separa do restante corpo da nave. Apesar de o ter realizado em segurança, a onda de choque da explosão fez o disco cair no planeta Veridian III.

Com o casco da engenharia destruído e a seção do disco muito danificada, a nave tornou-se irrecuperável e foi deixada em Veridian III.



Ainda como capitão Jean-Luc Picard, a NCC-1701-E é o cenário principal de Star Trek: First Contact, Star Trek: Insurrection e Star Trek Nemesis.

Curiosamente e ao contrário de suas antecessoras, é o emissor dos escudos que, em vez da tradicional cor azul, é amarelo e não existe um "pescoço" a ligar a seção de engenharia ao disco.



Esta versão futurista da Enterprise surge no episódio Azati Prime, na serie Star Trek: Enterprise (com a NX-01) em que o então capitão Jonathan Archer viaja no tempo até ao futuro, onde surge a Enterprise-J.



Uma série para além do tempo
Apesar de a série clássica ter sido criada e emitida nos anos 60, a sequela original do Star Trek tinha como membros da tripulação, nos cargos principais e fundamentais, um americano (Kirk), um russo (Chekov), um nipónico (Sulu), um escocês (Scott), um irlandês(McCoy), uma negra (Uhura) e um extraterrestre (Spock).

Tratava-se de um elenco multifacetado, longe das controvérsias mundanas como o racismo, ou a "guerra fria", que na época estava a ganhar fulgor.

Apesar de haver constantemente discordâncias entre os vários membros da tripulação, a mesma acabava sempre por atingir um consenso, balançando as decisões entre a lógica vulcana de Spock, e a impulsividade humana de Kirk.



Star Trek no grande ecrã
Star Trek: The Motion Picture ou O Caminho das Estrelas: O Filme (em Portugal) é um filme norte-americano de ficção científica lançado em 1979 dirigido por Robert Wise, escrito por Harold Livingston, sendo este baseado na história original de Alan Dean Foster.

Este filme, produzido por Gene Roddenberry, constitui a primeira longa-metragem sob a chancela Star Trek, composto com o elenco original da série de televisão da década de 1960.

Com a série original de televisão cancelada em 1969, Gene Roddenberry tentou convencer a Paramount Pictures a continuar a saga através de um filme.

O sucesso da série junto do público norte-americano convenceu o estúdio, e em 1975 começaram os trabalhos que dariam origem a continuação da sequela de ficção.

Vários guionistas tentaram construir uma história que fosse apropriadamente épica. Porém, as tentativas não alegravam a Paramount, que decidiu abandonar o projeto em 1977.

Com o sucesso do filme Encontros Imediatos do Terceiro Grau, realizado por Steven Spielberg, a Paramount sentiu que filmes de ficção científica diferentes, como por exemplo o Star Wars, poderiam ser bem sucedidos. O estúdio voltou atrás na decisão.

Em 1978 a Paramount anunciou que iria investir numa longa-metragem de Star Trek, adaptando a série de televisão com um orçamento de quinze milhões de dólares. Nascia assim o primeiro filme da saga: Star Trek: The Motion Picture.

Desde essa altura, a saga de ficção já produziu 14 filmes de longa-metragem e variadas séries paralelas sob o roteiro criado por Gene Roddenberry.

Os filmes

 

Sou um "Trekker"

Gostar de personagens de ficção é normal, ser fã coloca a fasquia um pouco mais alta, mas ser um Trekker é uma forma de vida completamente diferente. Razão pela qual o Online da RTP decidiu conhecer Rui Canizes, de 44 anos.

Este Trekker, residente na zona de Lisboa, abriu as portas de sua casa e revelou ao mundo como vive um fã desta série que agora celebra meio século.

O "nosso Trekker" afirma que gostar quase compulsivamente de Star Trek é acreditar nos ideais defendidos na série. É também uma forma de abordar assuntos atuais, por vezes complicados de discutir de forma mais séria.

Rui Canizes, informático no Instituto Português do Desporto e Juventude, refere mesmo que muito antes de se falar em eutanásia, clonagem, entre outros assuntos, já os episódios da saga abordavam estes assuntos de forma indireta.


"Já fui a muitas convenções do Star Trek e não perco uma oportunidade para recolher boas recordações". Este trekker desabafa, no entanto, que alguns dos atores "parecem ser muito simpáticos, mas a arrogância roça mesmo o insuportável."

No entanto, conseguir a fotografia é mesmo o principal objetivo: "Com persistência consigo quase sempre o que quero", acrescenta.

Fotos, autógrafos, naves iluminadas e sonorizadas, bonecos, mas faltam peças a este tesouro espacial.

"Um uniforme do tempo da Voyager, com o colarinho a roxo. O meu primeiro uniforme, muito mal feitinho, mas foi como comecei. Tenho depois este que é uma réplica da versão de cinema, do Next Genaration. Tenho este que é da série original, do famoso capitão Kirk…"

Sempre com uma alegria no rosto, Rui Canizes dá-nos a conhecer a vestimenta e a história de como a obteve. Este Trekker pertence ainda a um grupo de fãs portugueses da série, Trekkers de Portugal, criado no Facebook. O Online da RTP foi saber o que move estes seguidores do Caminho das Estrelas.


 
O melhor traje estava guardado dentro de um enorme roupeiro espelhado, escondendo a "jóia da coroa": o uniforme de gala completo, utilizado pela personagem James Tiberius Kirk na versão de cinema.

Já rendidos às evidências deste fã, sentimo-nos de novo jovens, levados pelos "caminhos das estrelas" apresentadas.

Não faltou no final, já no momento da despedida, uma saudação especial bem ao jeito dos apreciadores do Star Trek: "Vida longa e próspera."

 

Frases célebres na saga
Beam me up Scott (Kirk)
• Warp one/two… , Mr. Sulu. (Kirk)
• What can I do Keptain? (Checov)
• Sou um médico. Não um… (McCoy)
• Está morto, Jim. (McCoy)
• Nunca entendi a capacidade das mulheres em fugirem a uma resposta direta a qualquer questão. (Spock)
• Vida longa e próspera (Spock)
• Desculpe, não entendo piadas humanas. (Spock)
• Eu não posso mudar as leis da Física. Preciso de trinta minutos. (Scott)
• Spock, faça-me o favor. Não diga que isso é fascinante. (Vários)
• Que se faça. (Jean Luc-Picard)
• Nós somos os Borg. Resistir é Inutil (Borg)
• O espaço, a fronteira final... Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, na sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.



Inimigos da Enterprise e da Federação ao longo dos tempos:


Treknologias
Ao longo dos anos, a comunidade científica tem "aproveitado" as ideias tecnológicas apresentadas nas séries de ficção, e muitas são já uma realidade.

Warp
Teoricamente, nada se pode mover mais rápido que a luz. Este é um dos princípios apresentados pela teoria da relatividade de Einstein.

Mas viajar mais rápido que a luz, algo até agora inalcançável, não é impossível, dizem os cientistas.
As viagens da saga Star Trek baseiam-se precisamente neste tipo de tecnologia (Warp) na deslocação para outros mundos, "onde ninguém esteve antes".

Mas o que é e para que serve a Warp Drive, que a Enterprise usa?

Este sistema ficionado permite aos tripulantes da nave espacial Enterprise, deslocarem-se no espaço a uma velocidade acima da da luz (+/- 300.000 Km/s), criando uma espécie de bolha espacial.

Segundo Einstein, este processo criaria fendas no espaço-tempo, que concentrariam não só massa e energia, mas também o próprio tempo junto.

Baseando-se nisso, a Teoria da Dobra Espacial (Warp), sugere que a aplicação de certa força poderia criar uma "ponte" entre duas partes dessa fenda por uma "quarta dimensão" e, assim, "dobraria" o espaço, podendo um veículo espacial atravessar de um ponto A, para um ponto B, sem ter de se deslocar em linha reta.

Quem olha para esta teoria como uma futura realidade é a NASA, mas para já, enquanto isso não for possível, a propulsão iônica, para missões ao espaço, é a forma de propulsão mais rápida e mais eficiente.

Warp two, Mr. Sulu…


• Teletransporte
Viajar de um ponto A para um ponto B, sem a utilização de um veículo físico: isto é teletransporte.

Através do processo, algo se desmaterializa, num lugar, e surge instantaneamente noutro.

Os conhecedores da saga Star Trek conhecem bem este tipo de tecnologia, que não é assim tão irreal como parece.

A comunidade cientifica já está a trabalhar nela e, segundo estudos apresentados em algumas revistas científicas, já se conseguiu chegar a bons resultados, mas, desengane-se o leitor, ainda muito longe de se conseguir transportar objetos ou pessoas.

 

Para já, há notícia de uma equipa de investigadores das Universidades de Purdue, nos Estados Unidos, e de Tsinghua, na China, que obtiveram resultados visíveis.

Segundo um artigo publicado no jornal ABC espanhol, este grupo de investigadores conseguiu elaborar o primeiro esquema para teletransportar o estado quântico interno (a memória) de um microrganismo vivo para outro.

A ser verdade esta situação constitui um enorme avanço rumo ao tão desejado teletransporte de seres vivos.

Este esquema proposto por Tongcan Li e Zhang-qi Yin prevê a utilização de osciladores eletromecânicos e circuitos supercondutores para chegar ao tão ambicionado destino.

Beam me up, Scott…


• Intercomunicadores/Crachá
No mundo civilizado, já não é surpresa para ninguém ter um aparelho de comunicação sem fios.

Qualquer telemóvel, por mais desatualizado que esteja, serve para estabelecer contato com outro ponto, para qualquer parte do planeta, ou até mesmo para o espaço (EEI).

Na série clássica Star Trek, os comunicadores manuais que surgiam à época eram uma evolução dos intercomunicadores já existentes (Walkie Talkie), mas nos dias correntes já não espantam ninguém.

Mais tarde, com o evoluir da série, surgiram os crachás comunicativos com uma tecnologia um pouco diferente. Hoje em dia, qualquer sistema por bluetooth ou wifi reproduz os mesmos efeitos.

Enterprise… Can you hear me?

• Portas automáticas
As primeiras portas com abertura "automática" foram inventadas por Heron de Alexandria – o génio da mecânica da Grécia clássica – onde as portas automáticas tiveram sua primeira instalação num templo de Alexandria há cerca de 2.000 anos.

O sistema baseava-se numa engenharia hidráulica, construída sob o templo, que funcionava quando os monges acendiam uma pira junto ao monumento. 

 

Na série clássica de Star Trek, todas as portas da Enterprise eram automáticas e não necessitavam de qualquer artefacto ou comando para abrirem.

A ideia revolucionária data da década de 60, mas atualmente torna-se banal. Encontramos portas com um sistema semelhante, por exemplo com sensores de movimento.

• Armas Laser
Ter uma arma a disparar raios de luz sempre foi o sonho de muitos. Frequentemente, os filmes de ficção científica incluíam esse elemento. Era a marca de poderio militar bélico, sempre ligado a algo extraterreno.

Também na serie Star Trek esse elemento surge e faz mesmo parte da indumentária das personagens.

Atualmente, as armas laser ligeiras já existem e são perigosas, mas "ainda" não são suficientemente "potentes" e funcionais para fazerem parte do equipamento bélico permanente.

Quanto aos potentes sistemas laser das naves de Star Trek, existem para já protótipos capazes de destruir objetos volumosos, que num futuro próximo poderão fazer parte das estações orbitais ou de sistemas de defesa estratégica das forças militares de alguns países.

Ir onde nenhuma saga foi antesDesde o nascimento oficial da série, muitos são os produtos com a marca Star Trek. Séries paralelas, como por exemplo Deep Space Nine, em que o tema roda em volta da sequela original, criado por Gene Roddenberry, mas também jogos e muito marchandise.

Cinquenta anos passados, a marca Star Trek renova-se, reinventa-se. Com a chegada de mais um filme ao grande ecrã, bem como uma nova série que ficará disponivel on demand, a saga está para ficar, para deleite dos fãs e dos muitos apreciadores de ficção cientifica.