EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

STJ de Cabo Verde reduz penas da maioria dos condenados no "Caso Lancha Voadora"

STJ de Cabo Verde reduz penas da maioria dos condenados no "Caso Lancha Voadora"

Cidade da Praia, 29 mar (Lusa) - O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) cabo-verdiano reduziu as penas ditadas na primeira instância a praticamente todos os condenados do "Caso Lancha Voadora", que levou à apreensão, em 2011, de 1,5 toneladas de cocaína, mantendo, porém, "mão pesada".

Lusa /

Num acórdão datado de sexta-feira e noticiado hoje pela imprensa de Cabo Verde, o STJ acabou, também, por condenar um dos arguidos que fora absolvido pelo Tribunal da Comarca da Cidade da Praia, a 28 de junho de 2013, sentenciando-o a quatro anos de prisão pelo crime de lavagem de capitais.

A redução das penas no acórdão do STJ sobre o maior caso de apreensão de droga registado na história de Cabo Verde - ainda há a possibilidade de recurso ao Tribunal Constitucional (TC) - deve-se à absolvição de todos os acusados do crime de associação criminosa, mantendo-se as de tráfico de droga e de lavagem de capitais.

Ao decidir ilibar os arguidos do crime de associação criminosa, o STJ baixou sensivelmente a pena atribuída na primeira instância, numa média de dois a três anos, caso de Paulo Pereira, considerado o "cabecilha" da rede, que, em primeira instância, tinha sido condenado a 22 anos de prisão efetiva, pena agora reduzida para 19.

Em junho de 2013, o Tribunal da Comarca da Cidade da Praia condenara nove dos 15 arguidos a penas de prisão efetiva entre os nove e os 22 anos, dando como provadas as acusações de associação criminosa e lavagem de capitais, entre eles o até então presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), Veríssimo Pinto.

A operação "Lancha Voadora" foi tornada pública a 08 de outubro de 2011, com a maior apreensão de droga de sempre no país: 1,5 toneladas de cocaína em elevado estado de pureza escondida numa cave de um prédio na Achada de Santo António, na Cidade da Praia, e que foi incinerada a 25 de outubro no mesmo ano, na presença de autoridades e de jornalistas.

Além da droga, a Polícia Judiciária apreendeu milhares de euros e de outras moedas, milhões de escudos cabo-verdianos em notas e 15 viaturas, das quais cinco veículos topo de gama, três jipes, quatro "jet-sky",duas "pick-up", uma "moto-quatro" e várias armas e munições.

No acórdão de sexta-feira, todos os condenados em primeira instância viram as suas penas reduzidas, tendo produzido efeitos em, além de Paulo Pereira, na mãe, Ivone, e irmã, Ernestina, do empresário, sentenciadas e 11 e 13 anos de prisão efetiva.

Sem especificar, o acórdão reduziu também as penas de Veríssimo Pinto, que fora condenado a nove anos e seis meses), os empresários Carlos Gomes Silva (17 anos), Quirino dos Santos (15), António Semedo (12) e Luís Ortet (também 12), bem como o mestre de pesca Jacinto Mariano (nove).

Em junho de 2013, o Tribunal da Comarca da Cidade da Praia absolveu os restantes seis arguidos - José Oliveira, funcionário do Banco Africano de Investimento (BAI), os empresários Djoy Gonçalves e José Teixeira, bem como os respetivos colaboradores, Nilton Jorge, Sandro Spencer, Nerina Rocha.

A surpresa no acórdão foi a condenação de José Teixeira que, absolvido em primeira instância, ficou também interditado de sair de Cabo Verde por o STJ considerar que existem factos "consistentes" para a sua condenação a quatro anos de cadeia por crime de lavagem de capitais.

Tópicos
PUB