Sucesso da conferência em Annapolis será determinado pelo lançamento de negociações - Rice
Washington, 21 Nov (Lusa) - A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou hoje que o sucesso da conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, será determinado pelo lançamento de negociações sobre a criação de um Estado palestiniano.
"O sucesso desta reunião estará no lançamento de negociações entre israelitas e palestinianos para a criação de um Estado palestiniano e uma solução de dois Estados", declarou a chefe da diplomacia norte-americana durante um encontro com a imprensa.
Segundo Rice, a conferência é uma importante rampa de lançamento para negociações com o objectivo de resolver o conflito de Israel com os palestinianos e as suas disputas territoriais, de nacionalidade e direitos que estão na base de outros problemas do Estado hebreu com os seus vizinhos árabes.
"Há duas semanas ainda não era certo que Annapolis servisse para lançar as negociações", disse.
Rice preveniu, no entanto, que o documento comum que o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, prevêm fazer aprovar na reunião não será uma declaração de princípios, como foi pensado.
"Num dado momento, pensámos que seria bom pôr no papel os pontos de acordo a que chegassem Olmert e Abbas", indicou.
Mas israelitas e palestinianos "decidiram passar directamente às negociações em vez de tentar chegar a um documento intermédio, uma espécie de declaração de princípios (...) susceptível de enfraquecer a posição de um negociador", disse ainda.
Abbas e Abdallah II, da Jordânia, instaram hoje os países árabes a arranjarem uma posição unida face à conferência de Annapolis.
Segundo um comunicado da Casa Real, Abdallah prometeu a Abbas que "intensificará nos próximos dias os contactos com os dirigentes árabes visando alcançar uma posição árabe unificada que assegure o apoio aos palestinianos na reunião de Annapolis".
O monarca hachemita deve viajar quinta-feira para Charm-el-Cheick, no Egipto, para se reunir com o presidente Mubarak. Também não está afastada a hipótese do presidente sírio, Bachar al-Asad, e o rei saudita, Abdullah bin Abdelaziz, se deslocarem aquela cidade turística egípcia.
"Estamos nas últimas horas de negociações com Israel para terminar o documento que será levado a Annapolis. Esperamos finalizar hoje o trabalho", disse Abbas aos jornalistas no final da reunião com Abdallah II.
Abbas pediu a Israel que "inicie negociações sérias com os palestinianos e que adopte uma postura positiva que seja útil para conseguir uma solução duradoura".
Sublinhou ainda a necessidade de tratar da questão síria e libanesa, em especial a retirada israelita dos montes Golã, que foram ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
À Arábia Saudita chegou hoje o enviado especial do Quarteto para o Médio Oriente (Estados Unidos, União Europeia, Nações Unidas e Rússia), Tony Blair, depois de ter estado no Egipto com Mubarak, no âmbito dos preparativos para a conferência de Annapolis.
Blair apresentará ao rei saudita os seus planos para melhorar a situação económica nos territórios palestinianos e abordará a conferência de doadores prevista para Dezembro em França.
A Arábia Saudita, que constitui um dos principais apoios económicos árabes aos palestinianos, tem insistido na necessidade da reunião nos Estados Unidos tratar os "assuntos importantes" e ter em consideração a iniciativa de paz árabe.
Esta proposta oferece "paz total" a Israel em troca da completa retirada israelita dos territórios árabes ocupados pelo Estado hebreu em 1967, incluindo a Cisjordânia, Jerusalém oriental e os montes Golã.
Para unificar posições em relação à conferência de Annapolis, os ministros dos Negócios Estrangeiros árabes têm prevista uma reunião quinta-feira na sede da Liga Árabe, no Cairo.
PAL.