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Sul-coreano Ban Ki-moon eleito secretário-geral da ONU
A Assembleia-Geral das Naç ões Unidas elegeu, por aclamação, o ministro dos Negócios Estrangeiros sul- coreano, Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização Mundial, cargo em que suce derá a Kofi Annan a 1 de Janeiro.
Ban, 62 anos, foi eleito para um mandato de cinco anos, até 31 de Dezembro de 2011. Annan, 68 anos, deixará o cargo no final de Dezembro depois de ter cumprido dois mandatos.
Nos termos da Carta das Nações Unidas, a Assembleia-Geral, onde têm assento os 192 estados membros, elege o secretário-geral, mas por recomendação do Conselho de Segurança, principal órgão de decisão da ONU, que conta apenas com 15 membros, dos quais cinco permanentes com direito a veto (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia).
O Conselho de Segurança recomendou segunda-feira a eleição de Ban, no final de um processo de selecção de vários meses.
Ban será o oitavo secretário-geral das Nações Unidas desde a criação da ONU em 1945.
O chefe da diplomacia de Seul será secretário-geral da ONU, depois de Kofi Annan, do egípcio Boutros Boutros Ghali, do peruano Javier Pérez de Cuellar, do austríaco Kurt Waldheim, do birmanês U Thant, do sueco Dag Hammarskjold e do norueguês Trygve Lie.
Nos corredores das Nações Unidas em Nova Iorque, Ban Ki-Moon é conhecido como "o sul-coreano tranquilo", numa referência ao estilo moderado e apaziguador do actual ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano.
O aspecto que mais agradou a todos os países é a sua capacidade de dialogar com todas as partes e de ser um perito em negociar consensos sobre questões difíceis.
O facto de ter estado pessoalmente envolvido em negociações com a Coreia do Norte e ter apoiado sempre uma política de diálogo com Pyongyang deu-lhe o apoio de alguns países inicialmente duvidosos sobre a sua candidatura, disseram fontes diplomáticas.
Numa entrevista ao Financial Times, Ban afirma-se "claramente mais bem colocado" que o actual secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para desanuviar a crise provocada pela ameaça de Pyongyang de efectuar um teste nuclear.
"O secretário-geral da Kofi Annan fez importantes contributos e tomou várias iniciativas, nomeando um enviado especial, mas infelizmente nestes dez últimos anos não conseguiu deslocar-se à Coreia do Norte", comentou.
"Adquiri uma compreensão e uma experiência muito mais importantes no que diz respeito às relações inter-coreanas, nomeadamente face à Coreia do Norte. Creio que estarei mais bem colocado para gerir a crise como secretário-geral", sublinhou.
Para um destacado funcionário da ONU, que solicitou o anonimato, Ban Ki-moon "é uma pessoa no estilo de (Kofi) Annan, que parece apagada, mas que tem uma enorme capacidade e energia negocial".
Certos círculos manifestaram apreensão de que Ban, 62 anos, possa ser demasiado apaziguador e pouco afirmativo para ser um secretário-geral eficiente, numa altura de crescentes tensões internacionais, incluindo na península coreana.
Na sua campanha para a eleição, o ministro sul-coreano teve que explicar várias vezes o aspecto cultural asiático de se "ser humilde", afirmando que os ocidentais tendem a confundir isso com falta de poder.
Humildade, disse Ban, não deve ser confundida com falta de firmeza.
Um diplomata que conhece o ministro sul-coreano afirmou que "por detrás de uma voz calma e um sorriso permanente se esconde uma tenacidade que explica o facto de Ban ter sempre subido na hierarquia de diversos governos sul coreanos ".
Depois de ter terminado um bacharelato em relações internacionais em 1970 na Universidade de Seul, Ban iniciou a sua carreira diplomática na divisão para a ONU do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano.
Foi depois transferido para a missão sul-coreana nas Nações Unidas e mais tarde foi director-geral da missão da Coreia do Sul na organização.
Ban Ki-Moon foi também funcionário da embaixada da Coreia do Sul nos Estados Unidos e em 1985 terminou um mestrado em política governamental na prestigiada Universidade de Harvard.
Foi vice-conselheiro de segurança nacional em 1996. Mais tarde foi promovido a embaixador e enviado para Viena, onde foi também presidente da comissão preparatória da Organização para o Tratado de Proibição de Testes Nucleares e em 2001 foi nomeado embaixador da Coreia do sul na ONU.
Em 2004 foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul e, ao longo da sua carreira, Ban Ki-Moon foi condecorado duas vezes pelo governo sul-coreano.
Ban vai liderar uma organização com um total de 9.000 trabalhadores e um orçamento anual de cinco mil milhões de dólares (3,928 mil milhões de euros) ue atravessa actualmente uma crise de confiança devido a acusações de corrupção, ineficiência e desperdício de recursos.
Como secretário-geral, Ban vai deparar-se com crescentes pressões dos principais contribuintes financeiros da organização para iniciar um vasto programa de reformas, que muitos vêem como uma tentativa dos países ricos de retirarem à Assembleia-Geral os seus já poucos poderes.
Ao mesmo tempo que, à escala internacional, aumentam os pedidos para um maior envolvimento da ONU em operações de paz e em negociações para resolver crises internacionais.
Algumas fontes na ONU manifestaram, em privado, desagrado pelo facto de o governo sul-coreano ter alegadamente usado o seu crescente poder económico para apoiar a candidatura de Ban Ki-Moon, propondo acordos comerciais e ajuda a países em desenvolvimento em troca de votos na Assembleia-Geral.
Ban respondeu as estas críticas numa entrevista recente ao Washington Post, afirmando que quando se candidatou sabia que ia "ser alvo de um processo de escrutínio". "Sou um homem de integridade", afirmou Ban.
O diplomata sul-coreano é casado e tem um filho e duas filhas, a mais velha das quais trabalha para a UNICEF em África.
Nos termos da Carta das Nações Unidas, a Assembleia-Geral, onde têm assento os 192 estados membros, elege o secretário-geral, mas por recomendação do Conselho de Segurança, principal órgão de decisão da ONU, que conta apenas com 15 membros, dos quais cinco permanentes com direito a veto (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia).
O Conselho de Segurança recomendou segunda-feira a eleição de Ban, no final de um processo de selecção de vários meses.
Ban será o oitavo secretário-geral das Nações Unidas desde a criação da ONU em 1945.
O chefe da diplomacia de Seul será secretário-geral da ONU, depois de Kofi Annan, do egípcio Boutros Boutros Ghali, do peruano Javier Pérez de Cuellar, do austríaco Kurt Waldheim, do birmanês U Thant, do sueco Dag Hammarskjold e do norueguês Trygve Lie.
Nos corredores das Nações Unidas em Nova Iorque, Ban Ki-Moon é conhecido como "o sul-coreano tranquilo", numa referência ao estilo moderado e apaziguador do actual ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano.
O aspecto que mais agradou a todos os países é a sua capacidade de dialogar com todas as partes e de ser um perito em negociar consensos sobre questões difíceis.
O facto de ter estado pessoalmente envolvido em negociações com a Coreia do Norte e ter apoiado sempre uma política de diálogo com Pyongyang deu-lhe o apoio de alguns países inicialmente duvidosos sobre a sua candidatura, disseram fontes diplomáticas.
Numa entrevista ao Financial Times, Ban afirma-se "claramente mais bem colocado" que o actual secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para desanuviar a crise provocada pela ameaça de Pyongyang de efectuar um teste nuclear.
"O secretário-geral da Kofi Annan fez importantes contributos e tomou várias iniciativas, nomeando um enviado especial, mas infelizmente nestes dez últimos anos não conseguiu deslocar-se à Coreia do Norte", comentou.
"Adquiri uma compreensão e uma experiência muito mais importantes no que diz respeito às relações inter-coreanas, nomeadamente face à Coreia do Norte. Creio que estarei mais bem colocado para gerir a crise como secretário-geral", sublinhou.
Para um destacado funcionário da ONU, que solicitou o anonimato, Ban Ki-moon "é uma pessoa no estilo de (Kofi) Annan, que parece apagada, mas que tem uma enorme capacidade e energia negocial".
Certos círculos manifestaram apreensão de que Ban, 62 anos, possa ser demasiado apaziguador e pouco afirmativo para ser um secretário-geral eficiente, numa altura de crescentes tensões internacionais, incluindo na península coreana.
Na sua campanha para a eleição, o ministro sul-coreano teve que explicar várias vezes o aspecto cultural asiático de se "ser humilde", afirmando que os ocidentais tendem a confundir isso com falta de poder.
Humildade, disse Ban, não deve ser confundida com falta de firmeza.
Um diplomata que conhece o ministro sul-coreano afirmou que "por detrás de uma voz calma e um sorriso permanente se esconde uma tenacidade que explica o facto de Ban ter sempre subido na hierarquia de diversos governos sul coreanos ".
Depois de ter terminado um bacharelato em relações internacionais em 1970 na Universidade de Seul, Ban iniciou a sua carreira diplomática na divisão para a ONU do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano.
Foi depois transferido para a missão sul-coreana nas Nações Unidas e mais tarde foi director-geral da missão da Coreia do Sul na organização.
Ban Ki-Moon foi também funcionário da embaixada da Coreia do Sul nos Estados Unidos e em 1985 terminou um mestrado em política governamental na prestigiada Universidade de Harvard.
Foi vice-conselheiro de segurança nacional em 1996. Mais tarde foi promovido a embaixador e enviado para Viena, onde foi também presidente da comissão preparatória da Organização para o Tratado de Proibição de Testes Nucleares e em 2001 foi nomeado embaixador da Coreia do sul na ONU.
Em 2004 foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul e, ao longo da sua carreira, Ban Ki-Moon foi condecorado duas vezes pelo governo sul-coreano.
Ban vai liderar uma organização com um total de 9.000 trabalhadores e um orçamento anual de cinco mil milhões de dólares (3,928 mil milhões de euros) ue atravessa actualmente uma crise de confiança devido a acusações de corrupção, ineficiência e desperdício de recursos.
Como secretário-geral, Ban vai deparar-se com crescentes pressões dos principais contribuintes financeiros da organização para iniciar um vasto programa de reformas, que muitos vêem como uma tentativa dos países ricos de retirarem à Assembleia-Geral os seus já poucos poderes.
Ao mesmo tempo que, à escala internacional, aumentam os pedidos para um maior envolvimento da ONU em operações de paz e em negociações para resolver crises internacionais.
Algumas fontes na ONU manifestaram, em privado, desagrado pelo facto de o governo sul-coreano ter alegadamente usado o seu crescente poder económico para apoiar a candidatura de Ban Ki-Moon, propondo acordos comerciais e ajuda a países em desenvolvimento em troca de votos na Assembleia-Geral.
Ban respondeu as estas críticas numa entrevista recente ao Washington Post, afirmando que quando se candidatou sabia que ia "ser alvo de um processo de escrutínio". "Sou um homem de integridade", afirmou Ban.
O diplomata sul-coreano é casado e tem um filho e duas filhas, a mais velha das quais trabalha para a UNICEF em África.