Taipé pede racionalidade e contenção a Pequim após anúncio de exercícios militares

Taipé pede racionalidade e contenção a Pequim após anúncio de exercícios militares

Taiwan condenou hoje o anúncio, por parte da China, de dois dias de exercícios militares com fogo real no Estreito de Taiwan e instou Pequim a "agir com racionalidade e contenção" e a "pôr imediatamente fim às provocações militares".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Dado Ruvic - Reuters

Num comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan sublinhou que estas manobras, realizadas nas imediações da ilha chinesa de Dongshan, na província de Fujian, constituem uma "violação flagrante das práticas internacionais" e representam um "elevado risco" para o tráfego aéreo e marítimo.

"A China ignora a aspiração comum da comunidade internacional à segurança regional e recorre unilateralmente à ameaça do uso da força nas águas em redor do estreito de Taiwan, gerando tensões na região e confirmando, mais uma vez, a sua condição de fator de instabilidade", denunciou o ministério.

A diplomacia taiwanesa apelou ainda à comunidade internacional para que "condene em uníssono" esta "conduta hegemónica" da China, que "altera gravemente o `statu quo` e ameaça a segurança regional", acrescentou o comunicado.

As declarações surgem horas depois de a Administração de Segurança Marítima (MSA) da província chinesa de Fujian ter divulgado um aviso à navegação sobre exercícios militares com fogo real numa área ao largo da costa da província.

O aviso delimita duas zonas em torno da ilha de Dongshan, a segunda maior de Fujian, onde as manobras decorreram entre as 06:00 e as 18:00 locais de hoje (23:00 de quarta-feira e 11:00 de hoje em Lisboa) e prosseguem na sexta-feira no mesmo horário, estando proibida a entrada de todo o tipo de embarcações.

A Administração de Portos e Navegação de Taiwan indicou hoje, em declarações citadas pelo Economic Daily News, que as coordenadas divulgadas pelas autoridades chinesas se situam em águas próximas de Dongshan e que, à partida, não deverão afetar as embarcações que navegam em águas sob jurisdição de Taiwan.

As forças chinesas realizaram, nos últimos anos, múltiplos exercícios na ilha de Dongshan e nas águas circundantes, incluindo simulações de desembarque anfíbio.

A China ainda não anunciou este ano manobras militares de grande dimensão em torno de Taiwan, mas reforçou a presença da Guarda Costeira e de outras embarcações oficiais nas imediações da ilha, em particular ao largo da costa oriental, onde lançou no mês passado uma "operação de controlo do tráfego marítimo".

As autoridades de Pequim consideram Taiwan uma "parte inalienável" do território chinês e nunca excluíram o recurso à força para assumir o controlo da ilha, posição rejeitada pelo Governo taiwanês, que defende que apenas os 23 milhões de habitantes de Taiwan têm o direito de decidir o seu futuro político.

 

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