Taiwan afirma desconhecer "ajustes" sobre fornecimento de armas pelos Estados Unidos
O Governo de Taiwan afirmou hoje que não tem conhecimento de quaisquer "ajustes" na venda de armas por parte dos Estados Unidos, depois de o Pentágono confirmar que Washington decidiu suspender uma transferência de armamento para Taipé.
Em declarações recolhidas pela agência CNA, a porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, Karen Kuo, referiu que o Executivo tomou nota do facto, mas que "atualmente não existe qualquer informação sobre ajustes por parte dos Estados Unidos relativamente a essa venda de armas".
A porta-voz manifestou ainda o desejo de que o projeto de orçamento especial para financiar aquisições militares "não sofra complicações desnecessárias" no parlamento taiwanês e "possa ser concluído de forma fluida e dentro do calendário previsto".
Kuo reagiu desta forma às declarações do secretário da Marinha dos Estados Unidos em funções, Hung Cao, que na quinta-feira confirmou que Washington suspendeu uma venda de armamento a Taiwan de 14 mil milhões de dólares (12,1 mil milhões de euros) para garantir o abastecimento de munições na campanha contra Teerão.
Durante uma audiência na subcomissão de Defesa da Comissão de Apropriações do Senado esta quinta-feira, Hung Cao explicou que a medida responde à necessidade de garantir reservas suficientes de mísseis e intercetores, embora tenha afirmado que o país ainda dispõe de existências "abundantes".
"Neste momento, estamos a fazer uma pausa para garantir que temos as munições de que precisamos para a operação Fúria Épica, que temos em abundância, mas temos que garantir, e as vendas prosseguirão" logo que a Administração considerar oportuno, afirmou o secretário da Marinha dos Estados Unidos em funções.
A operação Fúria Épica foi lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.
Interrogado sobre se esperava que a venda deste lote de armas venha a ser aprovado no futuro, o mesmo responsável remeteu essa decisão para os secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio.
A suspensão da venda foi inicialmente anunciada na última sexta-feira pela Administração do Presidente Donald Trump, no mesmo dia em que regressou da visita de Estado a Pequim.
Após romper relações diplomáticas com Taipé e estabelecer relações com Pequim em 1979, os Estados Unidos promulgaram a Lei das Relações com Taiwan, que serve de base legal para o fornecimento de armamento defensivo à ilha.
Desde então, Washington aprovou múltiplas vendas de armamento a Taipé, incluindo um pacote de material bélico avaliado em 11,1 mil milhões de dólares (9,56 mil milhões de euros), anunciado em dezembro passado.
Embora a venda de armas a Taiwan se insira no âmbito da jurisprudência norte-americana, outras administrações, como a de Barack Obama, suspenderam as vendas de forma estratégica quando existiam tensões com Pequim.
Taipé, que conta atualmente com apenas doze aliados diplomáticos, depende em grande medida do armamento norte-americano para dissuadir uma possível agressão por parte da China, que considera a ilha como parte inalienável do seu território e não descartou o uso da força para assumir o seu controlo.